sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Avé Maria cheia de graça, o Senhor é convosco

Avé Maria cheia de graça, o Senhor é convosco

Deus colocou no coração de cada Homem o desejo de felicidade, esta felicidade só é plena no Céu junto de Deus. Está aí o nosso horizonte e desejo.
A cada um de nós Deus coloca a questão: Queres seguir o caminho de salvação?

Ao respondermos não ou ignorarmos a Sua oferta condenamo-nos a ficar eternamente afastados de Deus no Inferno.
Façamos como Nossa Senhora e respondamos sim. Este sim tem como modelo Nossa Senhora, cheia de graça, o Senhor é convosco.

O caminho para Deus é realizado no crescimento da Graça Santificante, praticando e desenvolvendo as virtudes. Somos chamados à santidade, a resposta à oferta de Deus opera em nós uma mudança que corresponde a termos o olhar, o coração e a alma em Deus e a Ele querermos estar unidos.

Essa união realiza-se na Graça Santificante, como Nossa Senhora sigamos este caminho. Alimentando o estado de Graça tenhamos Deus conosco.


sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Eucaristia e Caridade


A mãe que no meio do sono vai alimentar o seu filho, o filho que visita a mãe idosa mesmo que ela já não o recorde, o abraço que reconcilia uma discórdia, a mãe que perdoa e ensina o filho 70 vezes 7 vezes, o obrigado, o desculpa, o por favor, um sorriso e um bom-dia, são amor e sacrifício. É Caridade. E para todos eles, todos os dias no Altar está o maior acto de Caridade: o Sacrifício da Cruz, perpetuado pelo decorrer dos séculos.Fonte e centro de toda a vida cristã é o lugar onde se recebe e aprende a Caridade. "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei". É ali ao Altar que levamos a nossa cruz, os nossos sofrimentos e intenções para com Cristo, por Cristo e em Cristo nos entregarmos a Deus de corpo e alma, recebermos as Suas graças e recebermos a Caridade do calor do amor divino, fonte da nossa Caridade.
É com o Sacrifício da Cruz que aprendemos a amar e a sacrificar-nos cada dia de forma que já não sejamos nós que vivamos mas sim Cristo que viva em nós.
É com o Sacrifício da Cruz que vendo em Cristo as Suas chagas e ouvindo o clamor "Tenho sede" aprendemos a ver Cristo nos nossos irmãos.

O nosso Divino Salvador cumprindo a Sua promessa "Estarei convosco até ao fim dos tempos" encontra-se realmente presente em Corpo e Alma nas espécies do pão e do vinho e dessa forma dá-se como alimento espiritual aos fiéis. Na consagração do pão e do vinho simbolizando a cruenta separação do corpo e do sangue temos o Cordeiro de Deus, alimento da Caridade com o qual nos vamos assemelhando a Cristo, "Aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e Eu nele"
Assim, fortalecidos e unidos intimamente a Nosso Senhor a alma enche-se daquele amor que nos transforma, chama à santidade e à prática das virtudes, de forma a que semelhantes a Cristo possamos reconhecer e atender as necessidades dos nossos irmãos, espirituais e materiais.

Quando escutamos a Palavra de Deus vamos a caminho do Calvário recordando tudo o que Nosso Senhor nos ensinou. Carregando a nossa cruz até ao Altar enquanto escutamos a Palavra sentimos como os discípulos de Emaús "Não ardia cá dentro o nosso coração, quando Ele nos falava pelo caminho?". Unindo a Cruz à Palavra vemos nela o Verbo de Deus e assim aprendemos como se forma a Caridade e o que Deus quer de nós.

O desejo de felicidade colocado pelo Criador no intimo de cada um só será plenamente realizado na eternidade junto de Deus. É essa a nossa Esperança, à qual somos chamados e recordados quando o sacerdote diz "Felizes os convidados para a ceia do Senhor, eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". Esperança de no Céu participarmos do banquete do Cordeiro e estarmos junto de Deus. É este o nosso horizonte quando todos os dias praticamos a Caridade, com amor e sofrimento, partilhando e levando essa mesma Esperança a quem sofre.

Participando do Sacrifício e alimentados por Nosso Senhor somos enviados pelas palavras "Ide em paz, o Senhor vos acompanhe" nas quais ressoam o mandato de Nosso Senhor "Ide, pois, ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-as a observar todas as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo.". É o mandato da Caridade, a prática do maior mandamento "Amar a Deus sobre todas as coisas" e do que procede deste "Amar o próximo como a ti mesmo", chamar todos para o rebanho do Senhor praticando a Caridade, "Assim deixai a vossa luz resplandecer diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus."

A Eucaristia é Caridade e escola de Caridade porque a Santa Missa é a renovação e perpetuação do Sacrifício de Cristo na Cruz: o maior acto de Caridade, o amor de Deus que nos chama, o exemplo e modelo para a nossa Caridade.
A Santa Missa é Jesus no Calvário, com Maria nossa Mãe a seu lado, João aos pés da Cruz, e os anjos em adoração. E com Jesus aprendemos o que é o amor, a entrega e o sacrifício, com Maria aprendemos qual é o modelo de santidade, com João aprendemos a estar sempre presentes junto a quem sofre e a quem amamos e com os anjos aprendemos que é na adoração a Deus que recebemos as graças necessárias para aprender a amar.

Como na Caridade é dando que se recebe a Santa Missa é oferecida a Deus em adoração, reparação, agradecimento e petição. A Santa Missa é sobre Deus e o que Deus fez por nós de forma a que entregando-nos a Deus em corpo e alma, com humildade e em silêncio para O escutar recebamos de Deus todo o amor e graças. E aí está reflectido o novo mandamento da Caridade: "Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.". Assim na Santa Missa atentos e concentrados em Deus aprendemos o amor que Deus tem por nós de forma a que levemos esse mesmo amor connosco ao nosso próximo.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Cristo eterno Rei e eterno Sacerdote


Eis o Santo Sacrifício da Missa e o Santíssimo Sacramento.
Meditemos nestes textos que lhes dão testemunho. E vejamos o magnífico rio que de Nosso Senhor, eterno Rei e eterno Sacerdote, corre até cada Sacerdote em cada Altar em cada Eucaristia.

Isaías 12,3
Haurireis águas com gáudio das fontes do Salvador.

Salmo 42
Enviai-me a vossa luz e a vossa verdade.
Elas me guiarão e hão de conduzir-me à
vossa montanha santa, ao lugar onde habitais.
Entrarei no altar de Deus, ao Deus que é a alegria da minha juventude.
Louvar-vos-ei ó Deus, Deus meu, ao som da harpa.
Por que estais triste, ó minha alma? E por que me inquietas?
Espera em Deus, porque ainda o louvarei como meu Salvador e meu Deus.

Catecismo
1323. «O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura»  (SC47)

1326. Enfim, pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à Liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 18 ).

1367. O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: «É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente». E porque «neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento [...], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório».

1402. Numa antiga oração, a Igreja aclama assim o mistério da Eucaristia: «O sacrum convivium in quo Christus sumitur: recolitur memoria passionis eius; mens impletur gratia et futurae gloriae nobis pignus datur – Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória» (245). Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa da Senhor, se pela nossa comunhão no altar somos cumulados da «plenitude das bênçãos se graças do céu» (246), a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.

1406. Jesus diz: «Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente [...] Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna [...], permanece em Mim, e Eu nele» (Jo 6, 51.54.56).

1409. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, isto é, da obra do salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela acção litúrgica.

1410. É o próprio Cristo, sumo e eterno sacerdote da Nova Aliança, que, agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E é ainda o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do sacrifício eucarístico.

Código de Direito Canónico
Cân. 897 — O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam.

Cân. 898 — Os fiéis tenham em suma honra a santíssima Eucaristia, participando activamente na celebração do augustíssimo Sacrifício, recebendo com grande  devoção  e  com  frequência  este  sacramento,  e  prestando-lhe  a  máxima adoração; os pastores de almas, ao explanarem a doutrina sobre este sacramento, instruam diligentemente os fiéis acerca desta obrigação.

Cân. 899 — § 1. A celebração eucarística é uma acção do próprio Cristo e da Igreja, na qual Cristo nosso Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação.
§ 2. Na Assembleia eucarística, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do Bispo ou, sob a sua autoridade, do presbítero, que faz as vezes de Cristo, e todos os fiéis presentes, quer clérigos quer leigos, com a sua participação para ela concorrem, cada qual a seu modo, segundo a diversidade de ordens e de funções litúrgicas.
§ 3. Ordene-se a celebração eucarística de modo que todos os participantes dela aufiram os maiores frutos, para cuja obtenção o Senhor Jesus Cristo instituiu o Sacrifício eucarístico.


Papa Francisco
Misericordia et misera 20 de novembro 2016
Assim a celebração da misericórdia divina culmina no Sacrifício Eucarístico, memorial do mistério pascal de Cristo, do qual brota a salvação para todo o ser humano, a história e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebração Eucarística faz referimento à misericórdia de Deus.


Homilia Domingo 17 de Abril de 2016
Continuareis a obra santificadora de Cristo. Mediante o vosso ministério, o sacrifício espiritual dos fiéis é tornado perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas vossas mãos, em nome de toda a Igreja, é oferecido de maneira incruenta sobre o altar na celebração dos Santos Mistérios.
Portanto, reconhecei aquilo que fazeis. Imitai o que celebrais para que, participando do mistério
da morte e ressurreição do Senhor, leveis a morte de Cristo nos vossos membros e caminheis
com Ele em novidade de vida. Tende em vós mesmos a morte de Cristo, e caminhai com Cristo
em novidade de vida. Sem a cruz nunca encontrareis o verdadeiro Jesus; e uma cruz sem Cristo
não tem sentido.


Papa Bento XVI

Acto de confiança e consagração dos sacerdotes ao Imaculado Coração de Maia, 12 de Maio de 2010
Mãe Imaculada, neste lugar de graça, convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós, filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno, para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
...
Guiados por Vós, queremos ser Apóstolos da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam o sacramento da Reconciliação.
...
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas, faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus, reflectida nos nossos corações, para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

Carta Ano Sacerdotal, 16 de Junho de 2009
O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia...Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente». Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus». Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!». E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».

Homilia no Domingo do Bom Pastor, 29 de Abril de 2007
Aproximando-vos do altar, a vossa escola quotidiana de santidade, de comunhão com Jesus, do modo de entrar nos seus sentimentos, para renovar o sacrifício da Cruz, descobrireis cada vez mais a riqueza e a ternura do amor do Mestre divino, que hoje vos chama a uma amizade mais íntima com Ele. Se o ouvirdes com docilidade, se o seguirdes fielmente, aprendereis a traduzir na vida e no ministério pastoral o seu amor e a sua paixão pela salvação das almas. Cada um de vós, queridos Ordenandos, tornar-se-á com a ajuda de Jesus um bom pastor, pronto para dar, se necessário for, também a vida por Ele.


Papa São João Paulo II (1978-2005)
Carta aos sacerdotes, Quinta-Feira Santa, 13 de Março de 2005
Dirijo-me a vós, sacerdotes, durante um período de tratamento e recuperação que tive de passar no hospital, doente entre os doentes, unindo, na Eucaristia, o meu sofrimento ao de Cristo. Neste espírito, quero reflectir convosco sobre alguns aspectos da nossa espiritualidade sacerdotal.
Irei fazê-lo, deixando-me guiar pelas palavras da instituição da Eucaristia, as mesmas que diariamente pronunciamos, in persona Christi, para tornar presente sobre os nossos altares o sacrifício realizado uma vez por todas no Calvário; é que de tais palavras brotam indicações de espiritualidade sacerdotal muito elucidativas: se toda a Igreja vive da Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar « forma eucarística ». Por isso, as palavras da instituição devem ser, para nós, não apenas uma fórmula de consagração, mas uma « fórmula de vida ».

Ecclesia de Eucharistia, Quinta-Feira Santa, 17 de Abril de 2003
O olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia. Em tempos mais recentes, há que mencionar três encíclicas: a encíclica Miræ caritatis de Leão XIII (28 de Maio de 1902), a encíclica Mediator Dei de Pio XII (20 de Novembro de 1947)  e a encíclica Mysterium fidei de Paulo VI (3 de Setembro de 1965).

O Concílio Vaticano II, embora não tenha publicado qualquer documento específico sobre o mistério eucarístico, todavia ilustra os seus vários aspectos no conjunto dos documentos, especialmente na constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium e na constituição sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium.

Não há dúvida que a reforma litúrgica do Concílio trouxe grandes vantagens para uma participação mais consciente, activa e frutuosa dos fiéis no santo sacrifício do altar. Mais ainda, em muitos lugares, é dedicado amplo espaço à adoração do Santíssimo Sacramento, tornando-se fonte inesgotável de santidade.

A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente. De facto, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a recta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. Aparecem depois, aqui e além, iniciativas ecuménicas que, embora bem intencionadas, levam a práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve à Igreja para exprimir a sua fé. Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.

« O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue » (1 Cor 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia.Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos.(9) Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação « mistério da fé » feita pelo sacerdote: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte ».

Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ». Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável.

A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ».
Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: « Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá ».

A eficácia salvífica do sacrifício realiza-se plenamente na comunhão, ao recebermos o corpo e o sangue do Senhor. O sacrifício eucarístico está particularmente orientado para a união íntima dos fiéis com Cristo através da comunhão: recebemo-Lo a Ele mesmo que Se ofereceu por nós, o seu corpo entregue por nós na cruz, o seu sangue « derramado por muitos para a remissão dos pecados » (Mt 26, 28). Recordemos as suas palavras: « Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, assim também o que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). O próprio Jesus nos assegura que tal união, por Ele afirmada em analogia com a união da vida trinitária, se realiza verdadeiramente. A Eucaristia é verdadeiro banquete, onde Cristo Se oferece como alimento. A primeira vez que Jesus anunciou este alimento, os ouvintes ficaram perplexos e desorientados, obrigando o Mestre a insistir na dimensão real das suas palavras: « Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós » (Jo 6, 53). Não se trata de alimento em sentido metafórico, mas « a minha carne é, em verdade, uma comida, e o meu sangue é, em verdade, uma bebida » (Jo 6, 55).


Pastores Dabo Vobis, 25 de Março de 1992
É na Eucaristia, de facto, que é representado, ou seja, de novo tornado presente o sacrifício da cruz, o dom total de Cristo à sua Igreja, o dom do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado, qual testemunho supremo do seu ser Cabeça e Pastor, Servo e Esposo da Igreja. Precisamente por isto, a caridade pastoral do sacerdote não apenas brota da Eucaristia, mas encontra na celebração desta a sua mais alta realização, da mesma forma que da Eucaristia recebe a graça e a responsabilidade de conotar em sentido "sacrificial" a sua inteira existência.

Congregação para o culto divino e disciplina dos sacramentos, Ano da Eucaristia 14 Outubro 2004
Este único e eterno sacrifício torna-se realmente presente no sacramento do altar. Na verdade, “o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício” (CIC, 1367).

A Igreja associa o seu sacrifício ao da Eucaristia, para se tornar um só corpo e um só espírito em Cristo, de que é sinal a Comunhão sacramental (cf. Ecclesia de Eucharistia, 11-16). Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o Corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus: por Cristo, com Cristo e em Cristo.

Como a acção ritual da Eucaristia é fundada no sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas nos dias da sua existência terrena (cf. Heb 5, 7-9) e o representa de forma sacramental, assim a nossa participação na celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência. Na Eucaristia, a Igreja oferece o sacrifício de Cristo, oferecendo-se com ele. (cf. SC, 48; IGMR, 79f; Ecclesia de Eucharistia, 13).

A dimensão sacrificial da Eucaristia empenha, portanto, a vida. Daí a espiritualidade do sacrifício, do dom de si, da gratuidade, da oblatividade que o viver cristão exige.

No pão e no vinho que levamos ao altar está representada a nossa existência: o sofrimento e o empenho de viver como Cristo, e segundo o mandamento dado aos seus discípulos.

Na comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo está representado o nosso “eis-me” para deixar que Ele pense, fale e actue em nós.

A espiritualidade eucarística deveria impregnar os nossos dias: o trabalho, as relações, as mil coisas que fazemos; o empenho de viver a vocação de esposos, de pais, filhos; a dedicação ao ministério para quem é bispo, presbítero, diácono; o testemunho das pessoas consagradas, o sentido “cristão” da dor física e do sofrimento moral; a responsabilidade de edificar a cidade terrena, nas várias dimensões que a mesma comporta, à luz dos valores evangélicos.


Beato Papa Paulo VI (1963-1978)
Evangelica Testificatio, 29 de Junho de 1971
Será necessário deter-nos a recordar o lugar especialíssimo que ocupa na vida das vossas comunidades a liturgia da Igreja, cujo centro é o sacrifício eucarístico, no qual a oração interior se une ao culto externo? No momento da vossa profissão religiosa, vós fostes oferecidos a Deus pela Igreja, em íntima união com o sacrifício eucarístico. Dia após dia, este oferecimento de vós mesmos deve tornar-se uma realidade, concreta e continuamente renovada. A comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo é a fonte primária de tal renovação: que a vossa vontade de amar verdadeiramente e até ao dom da própria vida seja incessantemente reconfortada nela.

Homilia, 10 de Junho de 1971
A vós, sacerdotes, operadores e ministros da Eucaristia, dizemo-vos: o dia de hoje, solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, é uma grande festa para a vossa eleição, para a vossa mediação e para a vossa dupla identificação: com o Povo de Deus, a quem pertenceis, como irmãos e servidores no ministério; e com Cristo, cujo prodigioso poder exerceis, o que vos assimila a Ele, como sacerdotes e como vítimas no sacrifício eucarístico! Meditai e exultai em silêncio: é a vossa festa!

Regina Caeli, 12 de Abril de 1970
É pois necessário rezar pelas vocações. O único atractivo que elas oferecem hoje é o sacrifício, isto é, o amor que se dá, à Cruz. É preciso rezar para que almas generosas, principalmente jovens, sintam a sua misteriosa e poderosa atracção.

Credo do Povo de Deus, Homilia, 30 de Junho de 1968
Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em
virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos
membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna
sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados
pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos
por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no
Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa
presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos
do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial.


Concílio Vaticano II (1962-1965)
Sacrosanctum Concilium
Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas.

O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura

É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente...aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos.

Lumen Gentium
A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (cfr. Jo. 19,34), e preanunciam-nos as palavras do Senhor acerca da Sua morte na cruz: «Quando Eu for elevado acima da terra, atrairei todos a mim» (Jo. 12,32 gr.). Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual «Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor. 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo (cfr. 1 Cor. 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos.

[Os fieis] Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela

É próprio do sacerdote aperfeiçoar, com o sacrifício eucarístico, a edificação do corpo, cumprindo assim a palavra de Deus, anunciada pelo profeta: «do Oriente até ao Ocidente grande é o meu nome entre as gentes, e em todos os lugares é sacrificada e oferecida ao meu nome uma oblação pura» (Mal. 1,11)

[Os Bispos] São eles os ministros originários da Confirmação, dispensadores das sagradas ordens e reguladores da disciplina penitencial, e com solicitude exortam e instruem o seu povo para que participe com fé e reverência na Liturgia, principalmente no santo sacrifício da missa.

Presbyterorum Ordinis
Mas é pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando mesmo Senhor vier.

Esta caridade pastoral flui sobretudo do sacrifício eucarístico, que permanece o centro e a raiz de toda a vida do presbítero, de tal maneira que aquilo que se realiza sobre a ara do sacrifício, isso mesmo procura realizar em si a alma sacerdotal. Isto, porém, só se pode obter, na medida em que, pela oração, os sacerdotes penetram cada vez mais profundamente no mistério de Cristo.


Papa São João XXIII (1958-1963)
Mater et Magistra, 15 de Maio de 1961
Religião, moral e higiene concordam na necessidade do repouso periódico que a Igreja, desde há séculos, traduz na santificação do domingo, com a assistência ao santo sacrifício da missa, memorial e aplicação da obra redentora de Cristo às almas.

Ad Petri Cathedram, 29 de Junho de 1959
Quem ignora que [na] Igreja Católica...se celebra um só sacrifício, o Eucarístico, em que o próprio Cristo, nosso Salvador e Redentor, de modo incruento mas real, como outrora pregado na cruz do Calvário, se imola cada dia por nós todos, e difunde misericordiosamente sobre nós os tesouros infinitos da sua graça? Por isso, com muita razão notou S. Cipriano: "Não é lícito estabelecer outro altar e um novo sacerdócio, além do único altar e do único sacerdócio".


Sacerdotti Nostri Primordia, 1 de Agosto de 1959
Nunca devemos esquecer que a oração eucarística, no verdadeiro sentido da palavra, é o santo sacrifício da missa. Convém, veneráveis irmãos, insistir especialmente neste ponto, já que é um dos aspectos essenciais na vida sacerdotal.... Com efeito, se é verdade que o padre recebeu o caráter da ordem para o serviço do altar e começou o exercício do seu sacerdócio com o sacrifício eucarístico, este não deixará de ser, durante toda a vida, a base da sua acção apostólica e da sua santificação pessoal.


Venerável Papa Pio XII (1939-1958)
Menti Nostrae, 23 de Setembro de 1950
Assim como toda a vida do Salvador foi ordenada para o sacrifício de si mesmo, também a vida do sacerdote, que deve reproduzir em si a imagem de Cristo, deve ser com ele, por ele, e nele um sacrifício aceitável.
Em verdade, a oferta que o Senhor fez de si mesmo sobre o Calvário não foi somente a imolação do seu Corpo; ele ofereceu-se a si mesmo, hóstia de expiação, como cabeça da humanidade, e por isso "enquanto encomenda nas mãos do Pai o seu espírito, encomenda a si mesmo a Deus como homem, para encomendar a Deus todos os homens".
A mesma coisa sucede no sacrifício eucarístico, que é a renovação incruenta do sacrifício da cruz: Cristo oferece-se ao Pai pela sua glória e pela nossa salvação. E enquanto ele, sacerdote e vítima, procede como cabeça da Igreja, oferece e imola não somente a si mesmo, mas a todos os fiéis, e de certo modo todos os homens.
Ora, se isso vale para todos os féis, por maior título vale para os sacerdotes, que são ministros de Cristo, principalmente para a celebração do sacrifício eucarístico. E precisamente no sacrifício eucarístico, quando "na pessoa de Cristo" consagra o pão e o vinho que se tornam corpo e sangue de Cristo, o sacerdote pode tirar da mesma fonte da vida sobrenatural os inexauríveis tesouros da salvação e todos os auxílios que lhe são necessários pessoalmente e à realização da sua missão.

Mediator Dei, 20 de Novembro de 1947
A Igreja, pois, fiel ao mandato recebido do seu Fundador, continua o ofício sacerdotal de Jesus Cristo, sobretudo com a sagrada liturgia. E o faz em primeiro lugar no altar, onde o sacrifício da cruz é perpetuamente representado e renovado, com a só diferença no modo de oferecer.

Cristo está presente no augusto sacrifício do altar, quer na pessoa do seu ministro, quer por excelência, sob as espécies eucarísticas.

O mistério da santíssima eucaristia, instituída pelo sumo sacerdote Jesus Cristo e, por vontade sua, perpetuamente renovada pelos seus ministros, é como a súmula e o centro da religião cristã.

O augusto sacrifício do altar não é, pois, uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima. "Uma... e idêntica é a vítima: aquele mesmo, que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes, se ofereceu então sobre a cruz; é diferente apenas, o modo de fazer a oferta".
Idêntico, pois, é o sacerdote, Jesus Cristo, cuja sagrada pessoa é representada pelo seu ministro. Este, pela consagração sacerdotal recebida, assemelha-se ao sumo Sacerdote e tem o poder de agir em virtude e na pessoa do próprio Cristo; por isso, com sua ação sacerdotal, de certo modo, "empresta a Cristo a sua língua, e lhe oferece a sua mão".
Também idêntica é a vítima, isto é, o divino Redentor, segundo a sua humana natureza e na realidade do seu corpo e do seu sangue. Diferente, porém, é o modo pelo qual Cristo é oferecido. Na cruz, com efeito, ele se ofereceu todo a Deus com os seus sofrimentos, e a imolação da vítima foi realizada por meio de morte cruenta livremente sofrida; no altar, ao invés, por causa do estado glorioso de sua natureza humana, "a morte não tem mais domínio sobre ele" e, por conseguinte, não é possível a efusão do sangue; mas a divina sabedoria encontrou o modo admirável de tornar manifesto o sacrifício de nosso Redentor com sinais exteriores que são símbolos de morte. Já que, por meio da transubstanciação do pão no corpo e do vinho no sangue de Cristo, têm-se realmente presentes o seu corpo e o seu sangue; as espécies eucarísticas, sob as quais está presente, simbolizam a cruenta separação do corpo e do sangue. Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima.


Papa São Pio X (1903-1914)
Haerent Animo, 4 de Agosto de 1908
Porém, acima de tudo como Ministros do sacrifício por excelência, perpetuamente renovado pela salvação do mundo, devemos pôr-nos no estado de espírito com que o próprio Cristo, Hóstia Imaculada, se ofereceu a Deus no altar da cruz. Porque, se outrora, quando tudo eram apenas aparências e figuras, se exigia tão grande santidade dos padres, qual não será hoje nossa obrigação quando a vítima é Cristo!

Catecismo do Papa São Pio X
A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes.

A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, ein memória do sacrifício da Cruz.

O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os nossos altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: que Jesus Cristo sobre se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte.


Papa Leão XIII (1878-1903)
Mirae Caritatis 28 de Maio de 1902
Conhecer com fé íntegra a virtude da Santíssima Eucaristia, tal qual é, é conhecer tal qual é a obra que, na sua onipotente misericórdia, Deus feito homem realizou em favor do gênero humano. Porquanto a mesma fé que nos obriga a confessar e a honrar a Cristo como o soberano Autor da nossa salvação, o qual, pela sua sabedoria, pelas suas leis, ensinamentos, exemplos e pela efusão do seu sangue, renovou todas as coisas, igualmente nos força a crê-lo e adorá-lo assim realmente presente na Eucaristia, onde ele próprio permanece mui verdadeiramente até o fim dos tempos no meio dos homens, e como mestre e pastor cheio de bondade, como intercessor onipotente junto a seu Pai, para haurir em si mesmo e distribuir a eles com eterna abundância os benefícios da sua redenção. Quem atenta e religiosamente considerar os benefícios que emanam da Eucaristia, compreenderá que o mais excelente e o mais eminente é aquele que contém todos os outros, sejam quais forem: com efeito, é da Eucaristia que se transfunde nos homens essa vida que é a verdadeira vida: O Pão que darei é a minha carne para a vida do mundo (Jo 6, 52).
Para os sacerdotes, a quem Cristo nosso Redentor confiou o ofício de consagrar e dispensar o mistério de Seu Corpo e Sangue, certamente não podem fazer um melhor retorno para a honra que lhes foi conferida, do que promover com toda a força a glória da Sua Eucaristia, e convidar e atrair os corações dos Homens para as fontes de vida deste grande Sacramento e Sacrifício, seguindo os anseios do Seu Sagrado Coração.



Papa Urbano VIII (1623-1644)
Se existe algo na nossa vida de absolutamente divino, algo que os próprios cidadãos do Céu podem nos invejar, isso é certamente o Santo Sacrifício da Missa.


São Francisco de Sales, 1567-1622
Introdução à vida devota
O santíssimo Sacrifício do altar é, entre os exercícios da religião, como o sol entre os astros, porque é verdadeiramente a alma da piedade e o centro da religião cristã, ao qual todos os seus mistérios e todas as suas leis se relacionam; é o mistério inefável da divina caridade, pelo qual Jesus Cristo, dando-se realmente a nós, cumula-nos com suas graças de maneira igualmente amável e magnificente.

Concílio de Trento (1545-1563)
Sessão XXII
Em virtude de que neste sacrifício que se faz na Missa, está contido e se sacrifica, sem dores, naquele mesmo a que Cristo Se ofereceu dolorosamente no altar da cruz...a hóstia e o vinho são exatamente Ele, que agora é oferecido pelo ministério dos sacerdotes, Ele que outrora se ofereceu a Si mesmo na cruz, com apenas a diferença do modo de oferecer-se.

Se alguém disser que não se oferece a Deus na Missa um verdadeiro e apropriado sacrifício ou que este oferecimento não é outra coisa senão recebermos a Cristo para que o possamos engolir, seja excomungado.

Se alguém disser que naquelas palavras: "Fazei isto em memória de Mim", Cristo não instituiu como sacerdotes os Apóstolos, ou que não lhes ordenou e aos demais sacerdotes que oferecessem Seu Corpo e Sangue, seja excomungado.

Se alguém disser que o sacrifício da Missa é apenas um sacrifício de elogio e de ação de graças, ou mera recordação do sacrifício consumado na cruz, mas que não é próprio, ou que apenas é aproveitável àquele que o recebe, e que não se deve oferecer pelos vivos nem pelos mortos, pelos pecados, penas, satisfações nem outras necessidades, seja excomungado.



Papa Urbano IV (1261-1264)
Transiturus de hoc Mundo (instituição da festa do Corpo de Deus), 11 de Agosto de 1264
Cristo, nosso salvador, estando para partir deste mundo para ascender ao Pai, pouco antes da Sua Paixão, na Última Ceia, instituiu, em memória da Sua morte, o supremo e magnífico sacramento de Seu Corpo e Seu Sangue, dando-nos o Corpo como alimento e o sangue como bebida.
Sempre que comemos esse pão e bebemos deste cálice proclamamos a morte do Senhor, porque disse aos apóstolos durante a instituição deste sacramento: "Façam isto em memória de mim" para que este grande e venerável sacramento seja a principal e grande lembrança do grande amor com que Ele nos amou.

São Lourenço Justiniano (1381-1456)
Nenhuma língua humana pode enumerar os favores que remontam ao Sacrifício da Missa. O pecador é reconciliado com Deus; o homem justo se torna mais reto; os pecados são apagados; os vícios são desarraigados; virtude e mérito aumenta; e os esquemas do diabo são frustrados.

Papa Inocente III (1198-1216)
Pelo poder do Santo Sacrifício da Missa todas as virtudes são aumentadas em nós e obtemos uma abundante parte dos frutos da Graça.

São Francisco de Assis (1182-1226)
Ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser para com o sacramento do Corpo do Senhor, pois ficava absolutamente estupefato diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade. Achava que era um desprezo muito grande não assistir pelo menos a uma missa cada dia, se pudesse. Comungava com freqüência e com tamanha devoção que tornava devotos também os outros.

Certa ocasião quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas para guardarem o preço de nossa redenção no melhor lugar, onde quer que o encontrassem guardado de maneira menos digna.

Queria que se tivesse a maior reverência para com as mãos sacerdotais, pelo poder divino que lhes foi conferido para a confecção do santo sacramento. Dizia frequentemente: “Se e acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero, e me apressaria a beijar as suas mãos. Até diria: ‘Espera, São Lourenço, porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e têm algo de sobre-humano’”»

Ao receber o Cordeiro imolado, imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu coração.

Ao saborear o Cordeiro imaculado suavemente, como se estivesse ébrio no espírito, na mente era quase sempre arrebatado em êxtase.

Pasme o homem inteiro, estremeça todo o mundo e exulte o céu quando, sobre o altar, na mão do sacerdote, está Cristo, Filho do Deus vivo.

Ó admirável alteza e estupenda condescendência! Ó humildade sublime! Ó sublimidade humilde, pois o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, de tal maneira se humilha que, por nossa salvação, se esconde sob uma pequena forma de pão!

Escreveu uma vez aos frades: «rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo».

Em uma carta aos Custódios, parece escrever de joelhos: «eu vos rogo, mais do que por mim mesmo, que, quando for conveniente e virem que é oportuno, supliqueis humildemente aos clérigos, que devam venerar sobre todas as coisas o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo (...). Devem ter preciosos os cálices, corporais, ornamentos do altar e tudo que pertence ao sacrifício. E se em algum lugar estiver colocado pauperrimamente o santíssimo Corpo do Senhor, que por eles seja posto em lugar precioso e fechado à chave, de acordo com o mandato da Igreja, e seja levado com grande veneração e administrado aos outros com discrição. (...) Quando é sacrificado pelo sacerdote sobre o altar e é levado a alguma parte, todas as pessoas, de joelhos, retribuam louvores, glória e honra ao Senhor Deus vivo e verdadeiro».

O Senhor me deu e dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da santa Igreja Romana, por causa de sua ordem, que, se me fizerem perseguição, quero recorrer a eles mesmos. E não quero considerar pecado neles, porque enxergo neles o Filho de Deus

Vede vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos, porque Ele é santo. E assim como o Senhor Deus os honrou acima de todos por causa desse ministério, assim também vós amai-o, reverenciai-o e honrai-o sobre todos.

Os Sacerdotes possam sempre «celebrar a missa, puros com pureza façam com reverência o verdadeiro Sacrifício do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com intenção santa e limpa».

Papa São Gregório Magno (540-604)
Os céus abertos e multidões de anjos vêm para ajudar no Santo Sacrifício da Missa.

São João Crisóstomo (347-407)
Poderá ser puro demais quem oferece um tal sacrifício? Não seria preciso que fosse mais imaculada que o raio de sol a mão que divide esta carne, a boca que se enche deste fogo espiritual, a língua que se enrubesce de um sangue tão tremendo?

Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá.

São Pedro Crisólogo (380-450)
Sê sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te deu a divina autoridade. Reveste-te da estola da santidade; cinge-te com o cinto da castidade; seja Cristo o véu que te cubra a cabeça; a cruz esteja como baluarte sobre a tua fronte; coloca em teu peito o sacramento da divina ciência; queima sempre o incenso da oração; cinge a espada do Espírito; faz do teu coração como que um altar e assim seguro oferece teu corpo como vítima a Deus. Oferece a fé, de modo que seja punida a perfídia; imola o jejum, a fim de que cesse a voracidade; oferece em sacrifício a castidade, para que morra a sensualidade; coloca sobre o altar a piedade, para que seja deposta a impiedade; atrai a misericórdia, para que seja destruída a avareza; e para que desapareça a insensatez, convém imolar sempre a santidade: assim teu corpo será a tua hóstia, se não for ferido por alguma seta do pecado.

São Cipriano de Cartago (séc.III)
Este pão sobrenatural e este cálice consagrado são para a saúde e salvação da humanidade.

Santo Ireneu (130-202)
A oblação da Igreja, portanto, que o Senhor deu instruções para ser oferecida em todo o mundo, é apresentada a Deus como um sacrifício puro, e é aceitável para Ele; não que ele precise de um sacrifício de nós, mas para que aquele que oferece é ele próprio glorificado no que ele oferece, se o seu presente é aceite.


Didaqué (instrução dos doze Apóstolos) (cerca 70dc)
Reúnam-se em cada dia do Senhor e partam o pão, e deem ações de graças após ter confessado seus pecados, com o propósito que seu sacrifício seja puro.
Mas não deixe que qualquer pessoa que tem um rancor contra o seu irmão ou aquele que se encolerizar contra seu irmão reúna-se contigo para tomar a ceia, até que eles se reconciliem, para que seu sacrifício não seja profanado.
Porque isso é o que foi dito pelo Senhor.
"Em todo lugar e tempo oferecerão a mim um sacrifício puro, porque eu sou grande Rei, diz o Senhor, e o meu nome é maravilhoso entre as nações."
Portanto, nomeiem para vós bispos e diáconos dignos de Nosso Senhor, [entre] homens que são mansos, e não amantes do dinheiro, e verdadeiros e provados, para que eles também possam dar-vos o serviço de profetas e professores.

Santo André Apóstolo (séc. I)
O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.



Apocalipse 19,7:9
Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Ele, porque chegou a hora das bodas do Cordeiro e sua noiva já está preparada”. Para vestir-se, foi-lhe providenciado linho fino, puro e resplandecente. O linho fino representa os atos de justiça dos santos. Então, o anjo me ordenou: “Escreve: Bem-aventurados os que são chamados ao banquete das núpcias do Cordeiro!” E disse-me mais: “Estas são as exatas palavras de Deus!”


Actos dos Apóstolos 2,46
Diariamente, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração

Porque David não subiu ao céu, mas ele mesmo diz: O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés (S. 110,1). Saiba, pois, toda a casa de Israel com a maior certeza que Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus, a quem vós crucificastes

1 Coríntios 1:23,24
Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

1 Coríntios 10,16
Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? Acaso o pão que partimos não é nossa participação no Corpo de Cristo?

1 Coríntios 11,26
"Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senbor, até que ele venha."

1 Coríntios 11,27
Por esse motivo, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.

1 Coríntios 11,29
Pois quem come e bebe sem ter consciência do corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.

Hebreus 7,1-3
Porquanto, esse Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando este voltava, depois de haver derrotado os reis, e o abençoou; para o qual também Abraão entregou o dízimo de tudo; em primeiro lugar, seu nome quer dizer “Rei de Justiça”; em segundo lugar, “Rei de Salém”, que significa, “Rei da Paz”;
sem pai, sem mãe, sem origem nem antepassados, sem princípio de dias nem fim de vida; no entanto, por ser à semelhança do Filho de Deus, Ele permanece sacerdote perpetuamente. Cristo supera o sacerdócio levítico

Hebreus 12,24
a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que se expressa com mais veemência do que o sangue de Abel.

Romanos 12,1
Portanto, caros irmãos, rogo-vos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.

Evangelho de São Lucas 1,30-33
Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.
E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;
E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

Evangelho de São João 3,16
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Evangelho de São João 6,51
Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne.

Evangelho de São João 6,52
...“Como pode este homem dar-nos a comer a sua própria carne?”

Evangelho de São João 6,53:56
Então Jesus os advertiu: “Em verdade, em verdade vos afirmo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida dentro de vós. Todo aquele que comer a minha carne e beber o meu sangue tem vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida.
Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele.

Evangelho de São João 10, 17-18
Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.
Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Evangelho de São João 17,3
E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Evangelho de São Mateus 26,26-28
"Tomai, comei; isto é o meu corpo"..."isto é o meu sangue"
Evangelho de São Marcos 14,22-24
“Tomai, isto é o meu corpo”..."Isto é o meu sangue"
Evangelho de São Lucas 22,19-20
“Isto é o meu corpo"..."..."Este cálice significa a nova aliança no meu sangue"

Evangelho de São Mateus 26,29
E vos afirmo que, de agora em diante, não mais tomarei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o novo vinho, convosco, no Reino de meu Pai.

Evangelho de São Mateus 28,20
E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos.

Evangelho de São João
Jesus respondeu; «Esta voz não veio por amor de mim, mas por amor dè vós. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.» Dizia isto para designar de que morte havia de morrer.

Evangelho de São Mateus
Perto da hora nona, exclamou Jesus com voz forte; <Eli, Eli, lema sabachtani?» isto é: meu Deus. meu Deus, porque me abandonaste?

O centurião e os que com ele estavam de guarda a Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande medo, e diziam: «Na verdade este era Filho de Deus.»


Salmo 26,6
Lavo minhas mãos em sinal de inocência e, assim, poderei andar ao redor do teu altar, ó SENHOR.

Salmo 51,2
Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.

Salmo 141,2
Que minha oração seja como incenso diante de ti; minhas mãos erguidas, oferenda vespertina!

Salmo 110
Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.

Salmo 116, 12-13
Que darei eu ao Senhor por todos os seus benefícios? Elevarei o cálice da salvação invocando o nome do Senhor.

Salmo 21
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Estás longe das preces, das palavras do meu clamor.
...
Todos os que me vêem, escarnecem de mim,
franzem os lábios, meneiam a cabeça (dizendo):
«Esperou no Senhor: livre-o, salve-o, se é que o ama.»
...
Fui-te consagrado, logo desde o nascimento,
tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.
...
Com efeito, me rodeiam muitos cães (raivosos),
uma turba de malfeitores me cerca.
Traspassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.
Eles, porém, olham e, vêndo-me, se alegram;
repartem entre si as minhas vestes,
e lançam sortes sobre a minba túnica.
Mas tu, Senhor, não estejas longe de mim:
meu amparo, apressa-te a ajudar-me.
...
Anunciarei o teu nome aos meus irmãos.
no meio da assembleia te louvarei.

Isaías 53,7
Ele foi maltratado, humilhado, torturado; contudo, não abriu a sua boca; agiu como um cordeiro levado ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não expressou nenhuma palavra.

1 Samuel 21,6
Em seguida, o sacerdote lhe deu os pães que haviam sido consagrados, porque não havia outro alimento disponível, salvo o de oblação, o pão da Presença, que se retira de diante de Yahweh, o SENHOR, e que tinham sido tirados da mesa sagrada e trocados por pães quentes.

Êxodo 12,14
Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo.

Êxodo 23,18
Não oferecerás o sangue de um sacrifício feito em minha honra, com pão fermentado, nem a gordura das ofertas de minhas festas deverá ser guardada até a manhã seguinte.

Êxodo 24,8
Moisés tomou do sangue e o aspergiu sobre o povo, e proclamou: “Este é o sangue da Aliança que Yahweh fez convosco, por meio de todos esses mandamentos!”

Êxodo 25,8
Faz-me, também, um santuário, para que Eu possa habitar entre o meu povo.

Êxodo 25,22
Ali, sobre a tampa, que é o propiciatório, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a Arca, Eu me encontrarei contigo no tempo certo, e falarei a ti de cima do tampo, dentre os dois querubins que estão sobre a Arca que contém o Testemunho da Aliança, a respeito de tudo o que te ordenarei para os filhos de Israel.

Êxodo 25,30
E colocarás, sobre a mesa, os pães da Presença, para que estejam diuturnamente diante de mim.

Êxodo 27,20
Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de olivas amassadas, para o candelabro, para que haja lâmpadas continuamente acesas no recinto.

Êxodo 34,29
Quando Moisés desceu do monte Sinai com as duas Tábuas da Aliança nas mãos, não fazia ideia de que seu rosto resplandecia pelo facto de ter falado com Deus.
(Jesus vem até nós velado, sob a aparência de pão e vinho. Não conseguimos suportar a luz superbrillante de Sua plena glória em comparação com nossas próprias almas escuras pelo pecado.)

1Reis 7,48
Assim Salomão fez todos os utensílios que pertenciam à Casa do Senhor, o Eterno: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual repousavam os pães da Proposição, oferecidos à Presença de Deus;

Levítico 23,11-13
Ele o oferecerá diante do Senhor, com gesto ritual de apresentação, e no dia em que fizerdes essa apresentação, oferecereis ao SENHOR o holocausto de um cordeiro de um ano de idade, sem defeito. Sua oferta de cereal, nesse dia, será o equivalente a dois jarros da melhor farinha amassada com óleo, oferenda queimada para o Senhor, de aroma agradável, e uma oferta derramada, libação equivalente a um litro de vinho.

Malaquias 1,11
Desde o nascente ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se oferece ao meu nome um sacrifício fumegante e uma oblação pura, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos.

Jeremias 33,18
E da linhagem dos sacerdotes e dos levitas não faltará jamais um homem que ofereça holocaustos em minha presença, que acenda o fogo para queimar a oblação, que imole vítimas todos os dias.

Génesis 14,18-20
E Melquisedec rei de Salém, trazendo pão e vinho, porque era sacerdote do Deus Altíssimo, o abençoou e lhe disse: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra, e bendito seja o Deus Altíssimo por cuja protecção os inimigos estão nas tuas mãos.

Génesis 4,10
Exclamou o SENHOR: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim."

Génesis 1,1-4
No princípio Deus criou o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre a superficie das águas.
E disse Deus: Faça-se luz; e fez-se luz.
E Deus viu que era boa a luz; e Deus fez a separação entre a luz e as trevas.

Evangelho de São João, prólogo
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João.
Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.
Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.




Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho, comer o Corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus: por Cristo, com Cristo e em Cristo.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Esquecermo-nos de Deus é o perigo mais iminente do nosso tempo

Excertos da intervenção do Cardeal Robert Sarah no Quinto Roman Colloquium on Summorum Pontificum sobre Deus no centro da celebração litúrgica:

Devemos ser incansáveis ​​em anunciar a boa nova do Evangelho: que o pecado e a morte foram conquistados por Nosso Senhor Jesus Cristo cujo Sacrifício na Cruz nos permitiu obter o perdão que nossos pecados exigem e viver com alegria neste mundo e em forte esperança da vida sem fim no próximo.

A Igreja é chamada a anunciar esta boa nova de todas as formas possíveis, a toda pessoa humana em todas as terras e em todas as épocas. Esses esforços missionários e apostólicos essenciais, que são nada menos que um imperativo dado à Igreja pelo próprio Senhor (Mt 28, 19-20), são eles mesmos baseados em uma realidade maior: nosso encontro eclesial com Jesus Cristo na Sagrada Liturgia.

Cada celebração litúrgica deve ter Deus como centro, e somente Deus e nossa santificação.

A liturgia católica é o locus singularmente privilegiado da acção salvadora de Cristo em nosso mundo de hoje, por meio da participação real em que recebemos Sua graça e força tão necessária para a nossa perseverança e crescimento na vida cristã. É o lugar divinamente instituído onde viemos cumprir o nosso dever de oferecer sacrifício a Deus, de oferecer o Único Sacrifício Verdadeiro. É onde percebemos a nossa profunda necessidade de adorar o Deus Todo-Poderoso. A liturgia católica é algo sagrado, algo que é sagrado por sua própria natureza. A liturgia católica não é uma reunião humana comum.

É Deus e não o homem quem está no centro da liturgia católica. Nós viemos adorá-Lo. A liturgia não é sobre você e eu; Não é onde celebramos a nossa própria identidade ou realizações ou exaltamos ou promovemos a nossa própria cultura e costumes religiosos locais. A liturgia é antes de mais sobre Deus e o que Ele fez por nós. Em Sua Divina Providência, Deus Todo Poderoso fundou a Igreja e instituiu a Sagrada Liturgia através da qual podemos oferecer-lhe o verdadeiro culto de acordo com a Nova Aliança estabelecida por Cristo.

Portanto, Deus deve vir primeiro em cada elemento da nossa celebração litúrgica. É por amor a Ele e para adorá-Lo de forma mais completa, que reservamos e consagramos pessoas, lugares e coisas especificamente para o Seu serviço na Sagrada Liturgia.

Tanto as nossas celebrações litúrgicas como nós, nos tornaremos os belos ícones da Sua presença salvadora através dos quais aqueles que não conhecem Cristo e Sua Igreja podem encontrar o belo caminho para a salvação.

Esquecermo-nos de Deus é o perigo mais iminente do nosso tempo.
Em contraposição, a liturgia deve estabelecer um sinal da presença de Deus.

Texto completo em: http://www.newliturgicalmovement.org/2017/09/silence-and-primacy-of-god-in-sacred.html

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A Cruz é a glória e a exaltação de Cristo - Santo André de Creta

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Sermão 10, na Exaltação da Santa Cruz: PG 97, 1018-1019.1022-1023) (Sec. VIII)

A cruz é a glória e a exaltação de Cristo

Celebramos a festa da santa cruz, que dissipou as trevas e nos restituiu a luz. Celebramos a festa da santa cruz, e juntamente com o Crucificado somos elevados para o alto, para que, deixando a terra do pecado, alcancemos os bens celestes. Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.
Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.
Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! Grande, porque é a origem de bens inumeráveis, tanto mais excelentes quanto maior é o mérito que lhes advém dos milagres e dos sofrimentos de Cristo. Preciosa, porque a cruz é simultaneamente o patíbulo e o troféu de Deus: o patíbulo, porque nela sofreu a morte voluntariamente; e o troféu, porque nela foi mortalmente ferido o demónio, e com ele foi vencida a morte. E deste modo, destruídas as portas do inferno, a cruz converteu se em fonte de salvação para todo o mundo.
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. Para te convenceres de que a cruz é a glória de Cristo, ouve o que Ele mesmo diz: Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele e em breve O glorificará. E também: Glorifica me, ó Pai, com a glória que tinha junto de Ti, antes de o mundo existir. E noutra passagem: Pai, glorifica o teu nome. Veio então uma voz do Céu: ‘Eu O glorifiquei e de novo O glorificarei’.
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Fonte: http://liturgia.pt/santos/santo_v.php?cod_santo=152

A Santíssima Eucaristia no Código de Direito Canónico

TÍTULO III
DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA

Cân. 897 — O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam.

Cân. 898 — Os fiéis tenham em suma honra a santíssima Eucaristia, participando activamente na celebração do augustíssimo Sacrifício, recebendo com grande  devoção  e  com  frequência  este  sacramento,  e  prestando-lhe  a  máxima adoração; os pastores de almas, ao explanarem a doutrina sobre este sacramento, instruam diligentemente os fiéis acerca desta obrigação.



CAPÍTULO I
DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

Cân. 899 — § 1. A celebração eucarística é uma acção do próprio Cristo e da Igreja, na qual Cristo nosso Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação.


§ 2. Na Assembleia eucarística, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do Bispo ou, sob a sua autoridade, do presbítero, que faz as vezes de Cristo, e todos os fiéis presentes, quer clérigos quer leigos, com a sua participação para ela concorrem, cada qual a seu modo, segundo a diversidade de ordens e de funções litúrgicas.

§ 3. Ordene-se a celebração eucarística de modo que todos os participantes dela aufiram os maiores frutos, para cuja obtenção o Senhor Jesus Cristo instituiu o Sacrifício eucarístico.

Fonte: http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf

Devemos meditar no que na Santa Missa é o nosso ponto de referência, o que é o "Isto" que Nosso Senhor mandatou os Apóstolos de "Fazer", de forma a que pela nossa participação consciente, activa e piedosa sejamos transformados pela "adoração em espírito e verdade que o Pai deseja" (João 4, 23-24).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Felizes os convidados para o banquete do Senhor

Actualmente em português o sacerdote diz:
Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

No original em latim, já desde a 1ª edição do Beato Papa Paulo VI, vem indicado como:
Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccáta mundi.
Beáti qui ad cenam Agni vocáti sunt.

Numa tradução mais directa ficaria na forma:
Eis o Cordeiro de Deus, eis O que tira os pecados do mundo.
Felizes os convidados para o banquete do Cordeiro.

Aqui as núpcias do Cordeiro referem-se ao que vem no livro do Apocalipse em Ap 19,5-9, aqui é descrito o triunfo no Céu que diz:
E veio uma voz do trono, que dizia:
«Louvai o nosso Deus,
vós, todos os seus servos, que o reverenciais,
pequenos e grandes!»
Ouvi ainda algo semelhante ao alarido de uma grande multidão ou ao rumor das águas do mar, ou ainda ao ribombar de grandes trovões. E dizia:
«Aleluia!
O Senhor nosso Deus,
o Todo-Poderoso,
começou o seu reinado!
Alegremo-nos, rejubilemos,
dêmos-lhe glória;
porque chegou o momento das núpcias do Cordeiro;
a sua esposa já está ataviada.
Ele ofereceu-lhe um vestido de linho resplandecente e puro.»
O linho representa as boas obras dos santos. Depois disse-me: «Escreve: Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro!» E acrescentou: «Estas são palavras verdadeiras, do próprio Deus.»

Na forma que usamos em português em primeiro lugar alegramo-nos por podermos participar na ceia do Senhor, na comunhão da Eucaristia e alegramo-nos por ver e reconhecer o Cordeiro de Deus que pela morte e ressurreição tira o pecado do mundo. Este reconhecimento é importante e juntamente com a união ao Sacrifício da Cruz torna a nossa participação numa boa participação.

Na forma original em latim a oração tem um aspecto ainda mais profundo, em primeiro lugar vemos e reconhecemos o Cordeiro de Deus que pela morte e ressurreição tira os pecados do mundo depois alegramo-nos não só pela participação na comunhão da Eucaristia mas também no fortalecimento da Esperança de um dia chegarmos ao banquete celeste onde estaremos junto de Deus.
Desta forma o aproximar-nos do santuário para recebermos a comunhão é como uma antecipação e uma Esperança do banquete celeste, fortalecidos e alimentados na alma por Cristo aqui caminhamos com a Esperança para a Pátria Celeste.
Acho este sentido original da oração em latim muito profundo, o momento ganha ainda mais de dimensão sagrada.
Como os Sacramentos são dons de Deus, não são apenas para aumentar e alimentar a Fé, são meios que nos permitem entrar no bem que é o próprio Deus e nos configurarmos a Cristo, pertencendo ao Seu Corpo Místico, faz todo o sentido junto com a comunhão da Eucaristia vermos também uma antecipação e uma Esperança de participação do triunfo no Céu.

Por Cristo, com Cristo e em Cristo

"Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre."

Sobre esta oração partilho um excerto de um livro do bispo São Manuel González, canonizado pelo Papa Francisco, que melhor do que eu sabe explicar a beleza dessa oração:

"A Missa é a verdadeira oblação do Sacrifício, não apenas do corpo físico de Jesus Cristo, mas também do Corpo Místico. E, portanto, de todos os seus membros saudáveis, isto é, os cristãos em estado de graça, oferecem-se e são oferecidos a Deus como Missa, da mesma forma, com o mesmo valor e apreço com que se oferece Cristo.
Ou seja, como pelo Baptismo somos incorporados ao Corpo Místico de Cristo e somos um de seus membros, pela Santa Missa somos enxertados no Seu Sacrifício, de modo que corremos o mesmo destino abençoado do Corpo sacrificado ao qual pertencemos.
Através e em virtude deste meu enxerto no Augusto Sacrifício, sempre que eu ofereço uma Missa, e participe nela em um estado de graça, a Majestade de Deus recebe desta criatura de pó, a mesma coisa. A mesma glória que lhe dá a propiciação, louvor, gratidão e oração de seu Filho imolado, Cabeça, Alma e Vida do Corpo de que sou membro.
É por isso que o sacerdote, após a consagração, ao mesmo tempo que levanta o cálice do sangue e a Hóstia Sagrada, pode dizer em nome de toda a Igreja, que é o seu Corpo Místico, diante do céu, da Terra e dos abismos, para a Trindade Augusta: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre.
Que alegria a minha alma sente! Por muito ofendido, desprezado, blasfemado e injustamente tratado que Deus seja por muitos homens, a minha Mãe, a Igreja e cada um de nós que temos a felicidade de pertencer ao seu corpo e alma, podemos dar a Deus infinitamente mais glória do que ofensas Ele pode receber dos pecados dos homens.
Enchei as vossas almas desta única ideia e deste único sentimento: Eu vou dar a Deus nesta Missa toda a sua glória, para que essa Missa seja minha!
Que satisfação do dever cumprido pode ser comparado ao pagamento a Deus como Ele merece?
Tem a ciência ascética, arte ou a vida, memória, meio ou segredo mais poderoso do que a Missa para produzir nas almas a glória de Deus?
Pois: quanto mais santidade a Igreja possui, o principal oferente visível do Sacrifício e, portanto, quanto mais santos são os que a formam, mais intensa, agradável e aceitável será a glória que, por cada Missa, sobe da Terra ao Céu. A melhor enxerto, melhor fruto!"

Que maior alegria pode haver em termos dado a Deus toda a honra e toda a glória?
Só o fizemos porque o fizemos em união com o Sacrifício da Cruz no Altar,  "Por Cristo, com Cristo e em Cristo".

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Santo André Apóstolo e a Santa Cruz

Palavras Santo André Apóstolo no julgamento do seu martírio: “O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.

Da “Vida dos Santos” de Rohrbacher:

Santo André - primeiro Apóstolo a reconhecer Cristo, ao qual levou seu irmão Pedro, futuro primeiro Chefe da Igreja - teve sempre um grande amor à Cruz; na hora de sua morte, ao ver o madeiro no qual iriam pregá-lo, saudou-o com alegria.

Ele, diante de sua cruz, exclama:“Ó Cruz belíssima, que foste glorificada pelo contacto que tiveste com o Corpo de Cristo! Grande cruz, docemente desejada, ardentemente amada, sempre procurada, e, afinal, preparada para meu coração apressado, desejoso de ti”.

Antes de expirar disse estas palavras: 
Senhor, Rei Eterno da Glória, recebei-me assim pendido, como estou, ao madeiro, à cruz tão doce. Vós sois meu Deus. Vós a quem vi, não permitais me desliguem na cruz; fazei isto por mim, Senhor, que conheci a virtude da vossa Santa Cruz”.


Oração a Santo André

Santo André, Apóstolo de Jesus Cristo,
que conheceste a exigência
e a alegria de seu primeiro apelo,
dá-nos a graça de responder-lhe
com a mesma fidelidade,
de O servir cada dia
no lugar que Ele para nós escolheu.

Tu que distribuíste à multidão faminta
o pão que o Senhor multiplicava em tuas mãos,
obtém para nossa pobreza o mesmo milagre.
Faz que esperemos o socorro de Deus
com a invencível esperança do amor,
preocupados unicamente
com o advento de seu Reino.

Testemunha da boa-nova
que tua voz levou até as extremidades da terra,
conserva nos apóstolos de nosso tempo
esta fé viva que transporta montanhas
e constrói o Reino.

Mártir de teu testemunho,
concede-nos a graça de união à Cruz de Jesus Cristo;
que ela seja a alegria de nossa vida
e o penhor de nossa ressurreição na claridade de Deus.
Amém!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Cristo é a luz no oriente litúrgico

Outrora as igrejas orientavam-se para o leste. Entrava-se no edifício sagrado por uma porta aberta para o ocidente e, caminhando pela nave, dirigia-se rumo ao oriente. Era um símbolo importante para o homem antigo, uma alegoria que ao longo da história decaiu progressivamente.

Nós, homens da época moderna, muito menos habituados a captar os grandes sinais do cosmos, quase nunca nos damos conta de um pormenor deste tipo. O ocidente é o ponto cardeal do pôr do sol, onde a luz desfalece. O oriente, ao contrário, é o lugar onde as trevas são vencidas pela primeira luz da aurora, evocando-nos Cristo, Sol que surgiu do alto no horizonte do mundo (cf. Lc 1, 78).

Os antigos ritos do Batismo previam que os catecúmenos emitissem a primeira parte da sua profissão de fé, com o olhar voltado para o ocidente. E naquela postura, eram interrogados: “Renunciais a Satanás, ao seu serviço e às suas obras?” — E os futuros cristãos repetiam em coro: “Renuncio!”. Depois, iam rumo à abside, na direção do oriente, onde nasce a luz, e os candidatos ao Batismo eram novamente interrogados: “Acreditais em Deus Pai, Filho e Espírito Santo?”. E desta vez, respondiam: “Creio!”.
Nos tempos modernos perdeu-se parcialmente o fascínio deste rito: perdemos a sensibilidade à linguagem do cosmos. Naturalmente, permaneceu-nos a profissão de fé, feita segundo a interrogação batismal, que é própria da celebração de alguns sacramentos. Contudo, ela conserva-se intacta no seu significado. O que quer dizer ser cristão? Significa olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, enquanto o mundo estiver envolvido pela noite e pelas trevas.

Os cristãos não estão isentos das trevas, externas e inclusive internas. Não vivem fora do mundo, mas pela graça de Cristo, recebida no Batismo, são homens e mulheres “orientados”: não acreditam na escuridão, mas na luminosidade do dia; não sucumbem à noite, mas esperam na aurora; não são derrotados pela morte, mas anseiam por ressuscitar; não são vencidos pelo mal, porque confiam sempre nas possibilidades infinitas do bem.
E esta é a nossa esperança cristã. A luz de Jesus, a salvação que nos traz Jesus com a sua luz que nos salva das trevas.

Papa Francisco, Audiência Geral 2 de Agosto de 2017

Audiência em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2017/documents/papa-francesco_20170802_udienza-generale.html

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Concílio Vaticano II e a Santa Missa

O Concílio Vaticano II e a Santa Missa

Tal como acontecia antes do Concílio agora na Santa Missa continua a realizar-se no Altar o Sacrifício da Cruz de Nosso Senhor oferecido a Deus por nós.

O Concílio Vaticano II indica aos fiéis que na Santa Missa devem-se oferecer em união a este Sacrifício:

"Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual «Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor. 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo (cfr. 1 Cor. 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos." (Lumen Gentium 3)

"Os fiéis pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela" (Lumen Gentium 11)

"Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» - quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas."(Sacrosanctum Concilium 7)

"O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura"(Sacrosanctum Concilium 47)

"É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente, ... aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada"(Sacrosanctum Concilium 48)

"Para que o Sacrifício da missa alcance plena eficácia pastoral, mesmo quanto ao seu rito, o sagrado Concílio, tendo em atenção as missas que se celebram com assistência do povo, sobretudo aos domingos e nas festas de preceito, determina o seguinte: O Ordinário da missa deve ser revisto, de modo que se manifeste mais claramente a estrutura de cada uma das suas partes bem como a sua mútua conexão, para facilitar uma participação piedosa e activa dos fiéis." (Sacrosanctum Concilium 49,50) 

"Recomenda-se vivamente um modo mais perfeito de participação na missa, que consiste em que os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, recebam do mesmo Sacrifício, o Corpo do Senhor."(Sacrosanctum Concilium 55)

sábado, 27 de maio de 2017

Sábados de Nossa Senhora

Segundo a Tradição Católica o Sábado é o dia da semana dedicado a Nossa Senhora.
Como vem indicado no missal tradicional nos sábados costuma ter a indicação «Santa Maria no sábado».

Diz a Tradição que no primeiro Sábado Santo Nossa Senhora apesar dos sofrimentos e angústias vividas junto à Cruz manteve sempre viva a Fé, a Esperança e a confiança na Ressurreição, enquanto os discípulos e as outras mulheres mesmo mantendo a Fé não viam bem o que se poderia seguir, se viria mesmo a Ressurreição.

Nesse primeiro Sábado Santo em todo o mundo Nossa Senhora foi a ânfora que desde a hora em que Nosso Senhor morreu na Cruz até ao Domingo da Ressurreição guardou a confiança na Divindade de Nosso Senhor, tendo assim a Fé perfeita. Nesse Sábado Nossa Senhora personificava a Igreja Católica.





Amar a Igreja

Papa Pio XI na encíclica Mystici Corporis
«...amar a esposa de Cristo tal como Cristo a quis e a adquiriu com seu sangue. Portanto não só devemos amar sinceramente os sacramentos, com que a Igreja, mãe extremosa; nos sustenta, e as solenidades com que nos consola e alegra, os cantos sagrados e a liturgia, com que eleva as nossas almas à, coisas do céu, mas também os sacramentais e os vários exercícios de piedade com que suavemente impregna de Espírito de Cristo e conforta as almas.
E não só é nosso dever pagar com amor, como bons filhos, o seu materno amor para connosco, senão também venerar a sua autoridade que ela recebeu de Cristo e com que cativa as nossas inteligências em homenagem a Cristo (cf. 2Cor 10,5); e não menos obedecer às suas leis e preceitos morais, às vezes molestos à nossa natureza decaída; refrear a rebeldia deste nosso corpo com penitência voluntária, e até mortificar-nos, privando-nos de quando em quando de coisas agradáveis, embora não perigosas.
Nem basta amar o corpo místico no esplendor da cabeça divina e dos dons celestes que o exornam; devemos com amor efectivo amá-lo tal qual se nos apresenta na nossa carne mortal, composto de elementos humanos e enfermiços»

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cardeal Robert Sarah - Encontro com os sacerdotes

Cardeal Robert Sarah - Encontro com os sacerdotes, diocese de San Sebastián 24/05/2016

Nós somos sacrificados como Cristo pelo mundo. Já não contamos nós, conta a Igreja e o mundo.

Vivemos a Santa Missa cada dia para nos recordar que também nós somos um sacrifício perene para o mundo.

Esse Sacrifício celebramos cada dia na Eucaristia. Não sei se temos a consciência, nós simples sacerdotes temos em cada dia nas nossas mãos Deus. Que milagre! É para mim sempre uma alegria, todos os dias Deus! Para mim e para o próximo.
Isto significa como devemos tratar a Eucaristia.

Eu sou responsável pela liturgia...quando vejo em São Pedro na celebração em procissão entramos com o Santo Padre, e quando entra o Santo Padre vê-se uma floresta de telemóveis e câmaras. E durante toda a missa se tiram fotografias. Bispos, cardeais, leigos, todos tiram fotografias.
Este é um escândalo, em vez de rezar estar a tirar fotografias.

Que graças devemos de dar por sermos sacerdotes, de termos o Sacrifício de Cristo connosco, pela nossa santificação e pela santificação do povo de Deus.

Por isso penso que nós sacerdotes devemos cuidar da vida interior. Reparai que Cristo cuidava da vida interior dos seus apóstolos, muitas vezes os levava para longe, para o deserto para rezarem toda a noite.
Também nós devemos cuidar da vida interior, fazendo várias coisas. Sei que temos várias coisas para fazer, uma, duas, cinco paróquias...mas não vos preocupeis mais com o que fazeis do que com o que sois.

Até São Gregório Magno no 7º século dizia: somos muitos sacerdotes, mas os que fazem verdadeiramente o trabalho de sacerdote são poucos. Porque ele estava preocupado não com o que havia mas com o que se é.
Devemos ir até Cristo, conformar-nos a Cristo, sermos como Cristo, ipse Cristo. Nós sacerdotes somos outro Cristo. Damos a absolvição em nome de Cristo.

Hoje especialmente devemos cuidar da vida interior, principalmente porque o mundo sente tem mais a falta de Deus. Já São João Paulo II dizia que o mundo vive como se Deus não existisse. Até os cristão são cristãos apóstatas.

Eu estou muito agradecido ao Senhor por me ter feito cristão e sacerdote. Estou muito agradecido por ter vivido 5 anos com o Papa São João Paulo II, que vi a rezar e a rezar com ele. O que mais me tocou foi que quando estava mais fragilizado fisicamente permanecia ajoelhado diante do Santíssimo, sempre de joelhos por amor.
Bento XVI está neste momento a escrever a sua maior encíclica. A encíclica do primado de Deus na oração.

O diabo tenta dividir a Igreja. Vemos um bispo fala de uma maneira, outro fala de outra, cada um com a sua opinião. Nós somos enviados e somos enviados por Deus, não para darmos a nossa opinião mas sim a de Deus.
Ninguém tem o direito de dizer «eu quero a Igreja assim», a Igreja é de Deus. O que ensinamos não é nosso, o que ensinamos é de Deus, nós somos enviados a ensinar.


O Senhor e a Igreja deram os Sacramentos, mas se nós não celebramos bem a Eucaristia, se não celebramos com Fé e com piedade vemos apenas um espectáculo. Ao sermos nós os protagonistas escondemos Cristo, Cristo fica fora e fico só eu. Assim as pessoas não vêem o que celebramos, celebramos a morte de Cristo.
Se Deus não é colocado em primeiro lugar negamos os Sacramentos. Assim as pessoas não conseguem comungar Cristo porque não vêem aí o Corpo de Cristo e não podem construir a sua Fé e a sua vida no Corpo de Cristo.
Cristo disse: se não comerdes o meu Corpo não tereis a vida. Como pode um cristão ter a vida se não sabe o que é o Sacramento da Eucaristia e o Sacramento do Sacerdócio?
Todas as pessoas devem-nos ver como outro Cristo, ipse Cristo. É uma grande responsabilidade. Podemos ser pecadores mas a vontade de Deus é que sejamos outro Cristo, como o Seu Filho, ipse Cristo para a salvação do mundo.
Devemos cuidar da celebração Eucarística, seguir as rubricas e não inventar. A celebração é uma obediência, Cristo morreu obedecendo até à morte.

Nós devemos levar a nossa vida sobre três pilares: Cruz, Hóstia e Virgem.
Nós somos cristãos, seguimos a Cruz de Cristo, estamos ao lado da Cruz de Jesus. Devemos contemplar sempre a Cruz. É o fermento de todos os Sacramentos. E como Cristo devemos ver o sacerdote como Cristo na Cruz.
Assento a minha vida na contemplação da Cruz, assento a minha vida na Hóstia. Porque viver sem Hóstia é impossível.
Não podemos banalizar a Eucaristia, hoje diz-se que devemos dar a Eucaristia a todos mas isso não é verdade, como é possível? Não é que só devamos dar aos santos, nenhum de nós é santo. Mas a verdade é que para aceder à Eucaristia existem condições a cumprir. Se dermos o Corpo de Cristo a todos é uma profanação e um insulto a Deus.
São Paulo disse que antes de aceder à Eucaristia cada um deve examinar bem o seu estado. Não posso dar a Eucaristia a todos porque a Eucaristia não é minha, é um dom de Deus.
Por favor, não vejais a Eucaristia como um bem pessoal para distribuir. Não é vossa, é um dom de Deus...E existem condições para aceder a este dom.
E o terceiro pilar é a Virgem Maria porque Maria está sempre junto à Cruz até ao fim. Maria é a nossa Mãe...Mãe do Sacerdócio. Devemos rezar o rosário todos os dias.

No livro de Isaías diz Deus: "Porque é que este povo me virou as costas em vez de virar o rosto para Mim?".
Vê-de como aplicamos o Sacrossanto Concilium destruindo a nossa Fé, a liturgia e os Sacramentos. Em alguns países já não se confessa. Se nós sacerdotes não nos confessarmos não vemos a necessidade de confessar os outros.

Não tenhais medo de dizer a doutrina, o Evangelho, não a vossa ideia. Sereis destruídos mas deveis dizer a verdade. A Verdade é uma: Jesus Cristo, a Via é uma: Jesus Cristo, a Vida é uma: Jesus Cristo. Essa é a vossa missão: dizer que a Via, a Verdade e a Vida é uma.
Hoje é urgente dizer a Palavra de Jesus Cristo, sem medo, sem compromisso, sem ambiguidade. Deve-se falar claro. É necessário falar claro, sem ambiguidade. Porque é caridade a clareza. A clareza é amor.



quinta-feira, 11 de maio de 2017

O maior mandamento da Lei de Deus


Do Evangelho segundo São Mateus (22,37-40):
«37Jesus disse-lhe: Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente. 38Este é o maior e o primeiro mandamento.
39O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
40Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.»

O Amor a Deus é a fonte de todo o amor. Quando na Santa Missa damos a Deus toda a honra e toda a glória alimentamos a alma com o amor que iremos levar ao nosso próximo.



Imagem daqui: http://rorate-caeli.blogspot.com/2017/05/cardinal-burke-dignity-of-office-does.html

terça-feira, 2 de maio de 2017

Pelo Triunfo do Imaculado Coração de Maria - Conversão para Deus

O caminho de conversão para Deus pedido por Nossa Senhora de Fátima considerando os erros do maligno, a Verdade da Fé e os apelos de Nossa Senhora.

A uma sociedade que contesta os direitos de Deus, que quer ganhar o universo ao preço da sua alma, e assim cair na perdição, a Virgem maternal lançou como que um brado de alarme. Atentos ao seu apelo, ousemos pregar a todos, sem temor, as grandes verdades da salvação. Não há conversão senão fundada na Verdade da fé.

Compassiva para com as nossas misérias e clarividente sobre as nossas verdadeiras necessidades, a Imaculada vem aos homens para lhes lembrar as diligências essenciais da conversão.
 

Caminha pela estrada estreita que conduz à vida! Fá-lo sem esquecer de que espírito de doçura e de paciência necessitas. Na escola de Maria aprenderás a viver no mundo por Cristo, esperando com Fé a hora de Jesus e permanecendo ao pé da Sua Cruz.


Bibliografia:
Papa São Pio X - Pascendi Dominici Regis
Papa São Pio X - Haerent animo
Papa Pio XII  - Mystici Corporis
Papa Pio XII - Le Pèlerinage de Lourdes
São Dom Manuel González - El abandono de los sagrarios acompañados
Dom Marcel Lefebvre, Paris, 23 de setembro de 1979.
 

terça-feira, 25 de abril de 2017

Magistério da Igreja sobre o acesso à Eucaristia

Catecismo da Igreja Católica:
1650. ….Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação. Pelo mesmo motivo, ficam impedidos de exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação, por meio do sacramento da Penitência, só pode ser dada àqueles que se arrependerem de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometerem a viver em continência completa.

1756. É, portanto, erróneo julgar a moralidade dos actos humanos tendo em conta apenas a intenção que os inspira, ou as circunstâncias (meio, pressão social, constrangimento ou necessidade de agir, etc.) que os enquadram. Há actos que, por si e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e das intenções, são sempre gravemente ilícitos em razão do seu objecto; por exemplo, a blasfémia e o jurar falso, o homicídio e o adultério. Não é permitido fazer o mal para que dele resulte um bem.

2390. Há união livre quando homem e mulher recusam dar forma jurídica e pública a uma ligação que implica intimidade sexual.
A expressão é falaciosa: que pode significar uma união em que as pessoas não se comprometem uma para com a outra, testemunhando assim uma falta de confiança na outra, em si mesmas, ou no futuro?
A expressão tenta camuflar situações diferentes: concubinato, recusado matrimónio como tal, incapacidade de se ligar por compromissos a longo prazo (142). Todas estas situações ofendem a dignidade do matrimónio; destroem a própria ideia de família; enfraquecem o sentido da fidelidade. São contrárias à lei moral: o acto sexual deve ter lugar exclusivamente no matrimónio; fora dele constitui sempre um pecado grave e exclui da comunhão sacramental.

2400. O adultério e o divórcio, a poligamia e a união livre são ofensas graves à dignidade do matrimónio.

FAMILIARIS CONSORTIO, Papa São JOÃO PAULO II:
84. ... Juntamente com o Sínodo exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo, e melhor devendo, enquanto baptizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança.

A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e actuada na Eucaristia. Há, além disso, um outro peculiar motivo pastoral: se se admitissem estas pessoas à Eucaristia, os fiéis seriam induzidos em erro e confusão acerca da doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimónio.

A reconciliação pelo sacramento da penitência - que abriria o caminho ao sacramento eucarístico - pode ser concedida só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Isto tem como consequência, concretamente, que quando o homem e a mulher, por motivos sérios - quais, por exemplo, a educação dos filhos - não se podem separar, «assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges»(180).
...
Agindo de tal maneira, a Igreja professa a própria fidelidade a Cristo e à sua verdade; ao mesmo tempo comporta-se com espírito materno para com estes seus filhos, especialmente para com aqueles que sem culpa, foram abandonados pelo legítimo cônjuge.

Com firme confiança ela vê que, mesmo aqueles que se afastaram do mandamento do Senhor e vivem agora nesse estado, poderão obter de Deus a graça da conversão e da salvação, se perseverarem na oração, na penitência e na caridade.

VERITATIS SPLENDOR, Papa São JOÃO PAULO II:
81. Ao ensinar a existência de actos intrinsecamente maus, a Igreja cinge-se à doutrina da Sagrada Escritura. O apóstolo Paulo afirma categoricamente: «Não vos enganeis: Nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem maldizentes, nem os que se dão à embriaguez, nem salteadores possuirão o Reino de Deus» (1 Cor 6, 9-10).

Se os actos são intrinsecamente maus, uma intenção boa ou circunstâncias particulares podem atenuar a sua malícia, mas não suprimi-la: são actos «irremediavelmente» maus, que por si e em si mesmos não são ordenáveis a Deus e ao bem da pessoa: «Quanto aos actos que, por si mesmos, são pecados (cum iam opera ipsa peccata sunt) — escreve S. Agostinho — como o furto, a fornicação, a blasfémia ou outros actos semelhantes, quem ousaria afirmar que, realizando-os por boas razões (causis bonis), já não seriam pecados ou, conclusão ainda mais absurda, que seriam pecados justificados?». [134]

Por isso, as circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um acto intrinsecamente desonesto pelo seu objecto, num acto «subjectivamente» honesto ou defensível como opção.

Santa Missa para as famílias, Homilia do Papa São João Paulo II, Braga, 15 de Maio de 1982:
7. Cada um dos homens: portando também aquele ou aquela que se encontra a braços com um casamento que fracassou. Deus não deixa de amar os que se separam, nem mesmo os que iniciaram uma nova união irregular. Ele continua a acompanhar tais pessoas com a imutável fidelidade do seu amor, chamando continuamente a atenção para a santidade da norma violada e, ao mesmo tempo, convidando a não abandonarem a esperança.

Reflectindo, de algum modo, o amor de Deus, também a Igreja não exclui da sua preocupação pastoral os cônjuges separados e novamente casados; pelo contrário, põe à sua disposição os meios de salvação. Embora mantendo a prática, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir tais pessoas à comunhão eucarística, dado que a sua condição de vida se opõe objectivamente ao que a Eucaristia significa e opera, a Igreja exorta-os a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o sacrifício da Missa, a perseverar na oração e nas obras de caridade, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência, a fim de implorarem dessa forma a graça de Deus e se disporem para a receber.

A Igreja tem consciência de ser no mundo, com este ensino, “sinal de contradição”. As palavras proféticas, que Simeão pronunciou sobre o Menino, aplicam-se a Cristo na sua vida, e também à Igreja na sua história. Muitas vezes Cristo, o seu Evangelho e a Igreja, tornam-se “sinal de contradição” perante aquilo que no homem não é “de Deus”, mas do mundo ou até do “príncipe das trevas”.

Mesmo chamando o mal pelo nome e opondo-se-lhe decididamente Cristo vem sempre ao encontro da fraqueza humana. Procura a ovelha tresmalhada. Cura as feridas das almas. Consola o homem com a sua cruz. No Evangelho não faz exigências a que o homem não possa satisfazer com a graça de Deus e com a própria vontade. Pelo contrário, as suas exigências têm como finalidade o bem do homem: a sua verdadeira dignidade.

SACRAMENTUM CARITATIS, Papa BENTO XVI:
29. ...Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados.(92) O Sínodo dos Bispos confirmou a prática da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de não admitir aos sacramentos os divorciados recasados, porque o seu estado e condição de vida contradizem objectivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja que é significada e realizada na Eucaristia. Todavia os divorciados re-casados, não obstante a sua situação, continuam a pertencer à Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperança de que cultivem, quanto possível, um estilo cristão de vida, através da participação na Santa Missa ainda que sem receber a comunhão, da escuta da palavra de Deus, da adoração eucarística, da oração, da cooperação na vida comunitária, do diálogo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedicação ao serviço da caridade, das obras de penitência, do empenho na educação dos filhos.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
CARTA AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA A RESPEITO DA RECEPÇÃO DA COMUNHÃO EUCARÍSTICA POR FIÉIS DIVORCIADOS NOVAMENTE CASADOS:

4. ...Face às novas propostas pastorais acima mencionadas, esta Congregação considera pois sue dever reafirmar a doutrina e a disciplina da Igreja nesta matéria. Por fidelidade à palavra de Jesus Cristo(5), a Igreja sustenta que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persiste tal situação(6).
....
Para os fiéis que permanecem em tal situação matrimonial, o acesso à comunhão eucarística é aberto unicamente pela absolvição sacramental, que pode ser dada «só àqueles que, arrependidos de ter violado o sinal da Aliança e da fidelidade a Cristo, estão sinceramente dispostos a uma forma de vida não mais em contradição com a indissolubilidade do matrimónio. Isto tem como consequência, concretamente, que, quando o homem e a mulher, por motivos sérios - como, por exemplo, a educação dos filhos - não se podem separar, "assumem a obrigação de viver em plena continência, isto é, de abster-se dos actos próprios dos cônjuges"»(8). Neste caso podem aproximar-se da comunhao eucarística, permanecendo firme todavia a obrigação de evitar o escândalo.

6. O fiel que convive habitualmente more uxorio com uma pessoa que não é a legítima esposa ou o legítimo marido, não pode receber a comunhão eucarística. Caso aquele o considerasse possível, os pastores e os confessores - dada a gravidade da matéria e as exigências do bem espiritual da pessoa(10) e do bem comum da Igreja - têm o grave dever de adverti-lo que tal juízo de consciência está em evidente contraste com a doutrina da Igreja(11). Devem também recordar esta doutrina no ensinamento a todos os fiéis que lhes estão confiados.

7. A convicção errada de poder um divorciado novamente casado receber a comunhão eucarística pressupõe normalmente que se atribui à consciência pessoal o poder de decidir, em última instância, com base na própria convicção(15), sobre a existência ou não do matrimónio anterior e do valor da nova união. Mas tal atribuição é inadmissível(16). Efectivamente o matrimónio, enquanto imagem da união esponsal entro Cristo e a sua Igreja, e núcleo de base e factor importante na vida da sociedade civil, constitui essencialmente uma realidade pública.

Concílio de Trento cânones relativos à Eucaristia:
880. Se não convém que alguém se aproxime de algumas funções sagradas a não ser santamente, por certo, quanto maior for o conhecimento de um homem cristão a respeito da santidade e divindade deste celestial sacramento, com tanto maior cuidado se deve acautelar a fim de que não se aproxime, sem grande reverência e santidade, para recebê-lo [cân. 11]; ainda mais quando lemos aquelas palavras do Apóstolo, cheias de temor: Aquele que come e bebe indignamente, come e bebe o seu juízo, não distinguindo o corpo do Senhor (l Cor 11, 29). Assim, quem quiser comungar, deve lembrar-se do preceito: Prove-se o homem a si mesmo (1 Cor 11,28). O costume da Igreja manifesta que esta prova é necessária, para que ninguém, ciente de [estar em] pecado mortal, ainda que lhe pareça estar contrito, se aproxime da Sagrada Eucaristia sem preceder a confissão sacramental. Assim o manda este santo Concílio a todos os cristãos.

Cân. 11. Se alguém disser que só a fé é suficiente preparação para se receber o santíssimo sacramento da Eucaristia — seja excomungado. E para que não se receba indignamente tão grande sacramento e cause a morte e a condenação, determina e declara o mesmo santo Concilio que aqueles que se sentem com consciência oprimida pelo pecado mortal, ainda que se julguem sumamente contritos, se puderem encontrar confessor, estão necessariamente obrigados a fazer primeiro a confissão. E se alguém presumir ensinar, pregar ou afirmar com pertinácia o contrário, ou também o defender publicamente em discussões — seja imediatamente, por este fato, excomungado.