quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Cristo eterno Rei e eterno Sacerdote


Eis o Santo Sacrifício da Missa e o Santíssimo Sacramento.
Meditemos nestes textos que lhes dão testemunho. E vejamos o magnífico rio que de Nosso Senhor, eterno Rei e eterno Sacerdote, corre até cada Sacerdote em cada Altar em cada Eucaristia.

Isaías 12,3
Haurireis águas com gáudio das fontes do Salvador.

Salmo 42
Enviai-me a vossa luz e a vossa verdade.
Elas me guiarão e hão de conduzir-me à
vossa montanha santa, ao lugar onde habitais.
Entrarei no altar de Deus, ao Deus que é a alegria da minha juventude.
Louvar-vos-ei ó Deus, Deus meu, ao som da harpa.
Por que estais triste, ó minha alma? E por que me inquietas?
Espera em Deus, porque ainda o louvarei como meu Salvador e meu Deus.

Catecismo
1323. «O nosso Salvador instituiu na última ceia, na noite em que foi entregue, o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue, para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até voltar, o sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da glória futura»  (SC47)

1326. Enfim, pela celebração eucarística, unimo-nos desde já à Liturgia do céu e antecipamos a vida eterna, quando «Deus for tudo em todos» (1 Cor 15, 18 ).

1367. O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: «É uma só e mesma vítima e Aquele que agora Se oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora Se ofereceu a Si mesmo na cruz; só a maneira de oferecer é que é diferente». E porque «neste divino sacrifício, que se realiza na missa, aquele mesmo Cristo, que a Si mesmo Se ofereceu outrora de modo cruento sobre o altar da cruz, agora está contido e é imolado de modo incruento [...], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório».

1402. Numa antiga oração, a Igreja aclama assim o mistério da Eucaristia: «O sacrum convivium in quo Christus sumitur: recolitur memoria passionis eius; mens impletur gratia et futurae gloriae nobis pignus datur – Ó sagrado banquete, em que se recebe Cristo e se comemora a sua paixão, em que a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da futura glória» (245). Se a Eucaristia é o memorial da Páscoa da Senhor, se pela nossa comunhão no altar somos cumulados da «plenitude das bênçãos se graças do céu» (246), a Eucaristia é também a antecipação da glória celeste.

1406. Jesus diz: «Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente [...] Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna [...], permanece em Mim, e Eu nele» (Jo 6, 51.54.56).

1409. A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo, isto é, da obra do salvação realizada pela vida, morte e ressurreição de Cristo, obra tornada presente pela acção litúrgica.

1410. É o próprio Cristo, sumo e eterno sacerdote da Nova Aliança, que, agindo pelo ministério dos sacerdotes, oferece o sacrifício eucarístico. E é ainda o mesmo Cristo, realmente presente sob as espécies do pão e do vinho, que é a oferenda do sacrifício eucarístico.

Código de Direito Canónico
Cân. 897 — O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam.

Cân. 898 — Os fiéis tenham em suma honra a santíssima Eucaristia, participando activamente na celebração do augustíssimo Sacrifício, recebendo com grande  devoção  e  com  frequência  este  sacramento,  e  prestando-lhe  a  máxima adoração; os pastores de almas, ao explanarem a doutrina sobre este sacramento, instruam diligentemente os fiéis acerca desta obrigação.

Cân. 899 — § 1. A celebração eucarística é uma acção do próprio Cristo e da Igreja, na qual Cristo nosso Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação.
§ 2. Na Assembleia eucarística, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do Bispo ou, sob a sua autoridade, do presbítero, que faz as vezes de Cristo, e todos os fiéis presentes, quer clérigos quer leigos, com a sua participação para ela concorrem, cada qual a seu modo, segundo a diversidade de ordens e de funções litúrgicas.
§ 3. Ordene-se a celebração eucarística de modo que todos os participantes dela aufiram os maiores frutos, para cuja obtenção o Senhor Jesus Cristo instituiu o Sacrifício eucarístico.


Papa Francisco
Misericordia et misera 20 de novembro 2016
Assim a celebração da misericórdia divina culmina no Sacrifício Eucarístico, memorial do mistério pascal de Cristo, do qual brota a salvação para todo o ser humano, a história e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebração Eucarística faz referimento à misericórdia de Deus.


Homilia Domingo 17 de Abril de 2016
Continuareis a obra santificadora de Cristo. Mediante o vosso ministério, o sacrifício espiritual dos fiéis é tornado perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas vossas mãos, em nome de toda a Igreja, é oferecido de maneira incruenta sobre o altar na celebração dos Santos Mistérios.
Portanto, reconhecei aquilo que fazeis. Imitai o que celebrais para que, participando do mistério
da morte e ressurreição do Senhor, leveis a morte de Cristo nos vossos membros e caminheis
com Ele em novidade de vida. Tende em vós mesmos a morte de Cristo, e caminhai com Cristo
em novidade de vida. Sem a cruz nunca encontrareis o verdadeiro Jesus; e uma cruz sem Cristo
não tem sentido.


Papa Bento XVI

Acto de confiança e consagração dos sacerdotes ao Imaculado Coração de Maia, 12 de Maio de 2010
Mãe Imaculada, neste lugar de graça, convocados pelo amor do vosso Filho Jesus,
Sumo e Eterno Sacerdote, nós, filhos no Filho e seus sacerdotes,
consagramo-nos ao vosso Coração materno, para cumprirmos fielmente a Vontade do Pai.
...
Guiados por Vós, queremos ser Apóstolos da Misericórdia Divina,
felizes por celebrar cada dia o Santo Sacrifício do Altar
e oferecer a quantos no-lo peçam o sacramento da Reconciliação.
...
Que a vossa presença faça reflorescer o deserto das nossas solidões e brilhar o sol
sobre as nossas trevas, faça voltar a calma depois da tempestade,
para que todo o homem veja a salvação do Senhor,
que tem o nome e o rosto de Jesus, reflectida nos nossos corações, para sempre unidos ao vosso!
Assim seja!

Carta Ano Sacerdotal, 16 de Junho de 2009
O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia...Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente». Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus». Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!». E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».

Homilia no Domingo do Bom Pastor, 29 de Abril de 2007
Aproximando-vos do altar, a vossa escola quotidiana de santidade, de comunhão com Jesus, do modo de entrar nos seus sentimentos, para renovar o sacrifício da Cruz, descobrireis cada vez mais a riqueza e a ternura do amor do Mestre divino, que hoje vos chama a uma amizade mais íntima com Ele. Se o ouvirdes com docilidade, se o seguirdes fielmente, aprendereis a traduzir na vida e no ministério pastoral o seu amor e a sua paixão pela salvação das almas. Cada um de vós, queridos Ordenandos, tornar-se-á com a ajuda de Jesus um bom pastor, pronto para dar, se necessário for, também a vida por Ele.


Papa São João Paulo II (1978-2005)
Carta aos sacerdotes, Quinta-Feira Santa, 13 de Março de 2005
Dirijo-me a vós, sacerdotes, durante um período de tratamento e recuperação que tive de passar no hospital, doente entre os doentes, unindo, na Eucaristia, o meu sofrimento ao de Cristo. Neste espírito, quero reflectir convosco sobre alguns aspectos da nossa espiritualidade sacerdotal.
Irei fazê-lo, deixando-me guiar pelas palavras da instituição da Eucaristia, as mesmas que diariamente pronunciamos, in persona Christi, para tornar presente sobre os nossos altares o sacrifício realizado uma vez por todas no Calvário; é que de tais palavras brotam indicações de espiritualidade sacerdotal muito elucidativas: se toda a Igreja vive da Eucaristia, a existência sacerdotal deve a título especial tomar « forma eucarística ». Por isso, as palavras da instituição devem ser, para nós, não apenas uma fórmula de consagração, mas uma « fórmula de vida ».

Ecclesia de Eucharistia, Quinta-Feira Santa, 17 de Abril de 2003
O olhar da Igreja volta-se continuamente para o seu Senhor, presente no sacramento do Altar, onde descobre a plena manifestação do seu imenso amor.

Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia. Em tempos mais recentes, há que mencionar três encíclicas: a encíclica Miræ caritatis de Leão XIII (28 de Maio de 1902), a encíclica Mediator Dei de Pio XII (20 de Novembro de 1947)  e a encíclica Mysterium fidei de Paulo VI (3 de Setembro de 1965).

O Concílio Vaticano II, embora não tenha publicado qualquer documento específico sobre o mistério eucarístico, todavia ilustra os seus vários aspectos no conjunto dos documentos, especialmente na constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium e na constituição sobre a sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium.

Não há dúvida que a reforma litúrgica do Concílio trouxe grandes vantagens para uma participação mais consciente, activa e frutuosa dos fiéis no santo sacrifício do altar. Mais ainda, em muitos lugares, é dedicado amplo espaço à adoração do Santíssimo Sacramento, tornando-se fonte inesgotável de santidade.

A par destas luzes, não faltam sombras, infelizmente. De facto, há lugares onde se verifica um abandono quase completo do culto de adoração eucarística. Num contexto eclesial ou outro, existem abusos que contribuem para obscurecer a recta fé e a doutrina católica acerca deste admirável sacramento. Às vezes transparece uma compreensão muito redutiva do mistério eucarístico. Despojado do seu valor sacrificial, é vivido como se em nada ultrapassasse o sentido e o valor de um encontro fraterno ao redor da mesa. Além disso, a necessidade do sacerdócio ministerial, que assenta na sucessão apostólica, fica às vezes obscurecida, e a sacramentalidade da Eucaristia é reduzida à simples eficácia do anúncio. Aparecem depois, aqui e além, iniciativas ecuménicas que, embora bem intencionadas, levam a práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve à Igreja para exprimir a sua fé. Como não manifestar profunda mágoa por tudo isto? A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções.

« O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue » (1 Cor 11, 23), instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. As palavras do apóstolo Paulo recordam-nos as circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia.Esta tem indelevelmente inscrito nela o evento da paixão e morte do Senhor. Não é só a sua evocação, mas presença sacramental. É o sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos.(9) Esta verdade está claramente expressa nas palavras com que o povo, no rito latino, responde à proclamação « mistério da fé » feita pelo sacerdote: « Anunciamos, Senhor, a vossa morte ».

Quando a Igreja celebra a Eucaristia, memorial da morte e ressurreição do seu Senhor, este acontecimento central de salvação torna-se realmente presente e « realiza-se também a obra da nossa redenção ». Este sacrifício é tão decisivo para a salvação do género humano que Jesus Cristo realizou-o e só voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para dele participarmos como se tivéssemos estado presentes. Assim cada fiel pode tomar parte nela, alimentando-se dos seus frutos inexauríveis. Esta é a fé que as gerações cristãs viveram ao longo dos séculos, e que o magistério da Igreja tem continuamente reafirmado com jubilosa gratidão por dom tão inestimável.

A Igreja vive continuamente do sacrifício redentor, e tem acesso a ele não só através duma lembrança cheia de fé, mas também com um contacto actual, porque este sacrifício volta a estar presente, perpetuando-se, sacramentalmente, em cada comunidade que o oferece pela mão do ministro consagrado. Deste modo, a Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para humanidade de todos os tempos. Com efeito, « o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício ».
Já o afirmava em palavras expressivas S. João Crisóstomo: « Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá ».

A eficácia salvífica do sacrifício realiza-se plenamente na comunhão, ao recebermos o corpo e o sangue do Senhor. O sacrifício eucarístico está particularmente orientado para a união íntima dos fiéis com Cristo através da comunhão: recebemo-Lo a Ele mesmo que Se ofereceu por nós, o seu corpo entregue por nós na cruz, o seu sangue « derramado por muitos para a remissão dos pecados » (Mt 26, 28). Recordemos as suas palavras: « Assim como o Pai, que vive, Me enviou e Eu vivo pelo Pai, assim também o que Me come viverá por Mim » (Jo 6, 57). O próprio Jesus nos assegura que tal união, por Ele afirmada em analogia com a união da vida trinitária, se realiza verdadeiramente. A Eucaristia é verdadeiro banquete, onde Cristo Se oferece como alimento. A primeira vez que Jesus anunciou este alimento, os ouvintes ficaram perplexos e desorientados, obrigando o Mestre a insistir na dimensão real das suas palavras: « Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós » (Jo 6, 53). Não se trata de alimento em sentido metafórico, mas « a minha carne é, em verdade, uma comida, e o meu sangue é, em verdade, uma bebida » (Jo 6, 55).


Pastores Dabo Vobis, 25 de Março de 1992
É na Eucaristia, de facto, que é representado, ou seja, de novo tornado presente o sacrifício da cruz, o dom total de Cristo à sua Igreja, o dom do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado, qual testemunho supremo do seu ser Cabeça e Pastor, Servo e Esposo da Igreja. Precisamente por isto, a caridade pastoral do sacerdote não apenas brota da Eucaristia, mas encontra na celebração desta a sua mais alta realização, da mesma forma que da Eucaristia recebe a graça e a responsabilidade de conotar em sentido "sacrificial" a sua inteira existência.

Congregação para o culto divino e disciplina dos sacramentos, Ano da Eucaristia 14 Outubro 2004
Este único e eterno sacrifício torna-se realmente presente no sacramento do altar. Na verdade, “o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício” (CIC, 1367).

A Igreja associa o seu sacrifício ao da Eucaristia, para se tornar um só corpo e um só espírito em Cristo, de que é sinal a Comunhão sacramental (cf. Ecclesia de Eucharistia, 11-16). Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho que escutamos, comer o Corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus: por Cristo, com Cristo e em Cristo.

Como a acção ritual da Eucaristia é fundada no sacrifício que Cristo ofereceu uma vez por todas nos dias da sua existência terrena (cf. Heb 5, 7-9) e o representa de forma sacramental, assim a nossa participação na celebração deve trazer consigo a oferta da nossa existência. Na Eucaristia, a Igreja oferece o sacrifício de Cristo, oferecendo-se com ele. (cf. SC, 48; IGMR, 79f; Ecclesia de Eucharistia, 13).

A dimensão sacrificial da Eucaristia empenha, portanto, a vida. Daí a espiritualidade do sacrifício, do dom de si, da gratuidade, da oblatividade que o viver cristão exige.

No pão e no vinho que levamos ao altar está representada a nossa existência: o sofrimento e o empenho de viver como Cristo, e segundo o mandamento dado aos seus discípulos.

Na comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo está representado o nosso “eis-me” para deixar que Ele pense, fale e actue em nós.

A espiritualidade eucarística deveria impregnar os nossos dias: o trabalho, as relações, as mil coisas que fazemos; o empenho de viver a vocação de esposos, de pais, filhos; a dedicação ao ministério para quem é bispo, presbítero, diácono; o testemunho das pessoas consagradas, o sentido “cristão” da dor física e do sofrimento moral; a responsabilidade de edificar a cidade terrena, nas várias dimensões que a mesma comporta, à luz dos valores evangélicos.


Beato Papa Paulo VI (1963-1978)
Evangelica Testificatio, 29 de Junho de 1971
Será necessário deter-nos a recordar o lugar especialíssimo que ocupa na vida das vossas comunidades a liturgia da Igreja, cujo centro é o sacrifício eucarístico, no qual a oração interior se une ao culto externo? No momento da vossa profissão religiosa, vós fostes oferecidos a Deus pela Igreja, em íntima união com o sacrifício eucarístico. Dia após dia, este oferecimento de vós mesmos deve tornar-se uma realidade, concreta e continuamente renovada. A comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo é a fonte primária de tal renovação: que a vossa vontade de amar verdadeiramente e até ao dom da própria vida seja incessantemente reconfortada nela.

Homilia, 10 de Junho de 1971
A vós, sacerdotes, operadores e ministros da Eucaristia, dizemo-vos: o dia de hoje, solenidade do Corpo e do Sangue de Cristo, é uma grande festa para a vossa eleição, para a vossa mediação e para a vossa dupla identificação: com o Povo de Deus, a quem pertenceis, como irmãos e servidores no ministério; e com Cristo, cujo prodigioso poder exerceis, o que vos assimila a Ele, como sacerdotes e como vítimas no sacrifício eucarístico! Meditai e exultai em silêncio: é a vossa festa!

Regina Caeli, 12 de Abril de 1970
É pois necessário rezar pelas vocações. O único atractivo que elas oferecem hoje é o sacrifício, isto é, o amor que se dá, à Cruz. É preciso rezar para que almas generosas, principalmente jovens, sintam a sua misteriosa e poderosa atracção.

Credo do Povo de Deus, Homilia, 30 de Junho de 1968
Cremos que a Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em
virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos
membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna
sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados
pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que logo iam ser oferecidos
por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no
Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa
presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos
do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial.


Concílio Vaticano II (1962-1965)
Sacrosanctum Concilium
Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» -quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas.

O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura

É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente...aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada; que, dia após dia, por Cristo mediador, progridam na unidade com Deus e entre si, para que finalmente Deus seja tudo em todos.

[Os fieis] Pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela

É próprio do sacerdote aperfeiçoar, com o sacrifício eucarístico, a edificação do corpo, cumprindo assim a palavra de Deus, anunciada pelo profeta: «do Oriente até ao Ocidente grande é o meu nome entre as gentes, e em todos os lugares é sacrificada e oferecida ao meu nome uma oblação pura» (Mal. 1,11)

[Os Bispos] São eles os ministros originários da Confirmação, dispensadores das sagradas ordens e reguladores da disciplina penitencial, e com solicitude exortam e instruem o seu povo para que participe com fé e reverência na Liturgia, principalmente no santo sacrifício da missa.

Lumen Gentium
A Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus. Tal começo e crescimento exprimem-nos o sangue e a água que manaram do lado aberto de Jesus crucificado (cfr. Jo. 19,34), e preanunciam-nos as palavras do Senhor acerca da Sua morte na cruz: «Quando Eu for elevado acima da terra, atrairei todos a mim» (Jo. 12,32 gr.). Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual «Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor. 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo (cfr. 1 Cor. 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos.

Presbyterorum Ordinis
Mas é pelo ministério dos presbíteros que o sacrifício espiritual dos fiéis se consuma em união com o sacrifício de Cristo, mediador único, que é oferecido na Eucaristia de modo incruento e sacramental pelas mãos deles, em nome de toda a Igreja, até quando mesmo Senhor vier.

Esta caridade pastoral flui sobretudo do sacrifício eucarístico, que permanece o centro e a raiz de toda a vida do presbítero, de tal maneira que aquilo que se realiza sobre a ara do sacrifício, isso mesmo procura realizar em si a alma sacerdotal. Isto, porém, só se pode obter, na medida em que, pela oração, os sacerdotes penetram cada vez mais profundamente no mistério de Cristo.


Papa São João XXIII (1958-1963)
Mater et Magistra, 15 de Maio de 1961
Religião, moral e higiene concordam na necessidade do repouso periódico que a Igreja, desde há séculos, traduz na santificação do domingo, com a assistência ao santo sacrifício da missa, memorial e aplicação da obra redentora de Cristo às almas.

Ad Petri Cathedram, 29 de Junho de 1959
Quem ignora que [na] Igreja Católica...se celebra um só sacrifício, o Eucarístico, em que o próprio Cristo, nosso Salvador e Redentor, de modo incruento mas real, como outrora pregado na cruz do Calvário, se imola cada dia por nós todos, e difunde misericordiosamente sobre nós os tesouros infinitos da sua graça? Por isso, com muita razão notou S. Cipriano: "Não é lícito estabelecer outro altar e um novo sacerdócio, além do único altar e do único sacerdócio".


Sacerdotti Nostri Primordia, 1 de Agosto de 1959
Nunca devemos esquecer que a oração eucarística, no verdadeiro sentido da palavra, é o santo sacrifício da missa. Convém, veneráveis irmãos, insistir especialmente neste ponto, já que é um dos aspectos essenciais na vida sacerdotal.... Com efeito, se é verdade que o padre recebeu o caráter da ordem para o serviço do altar e começou o exercício do seu sacerdócio com o sacrifício eucarístico, este não deixará de ser, durante toda a vida, a base da sua acção apostólica e da sua santificação pessoal.


Venerável Papa Pio XII (1939-1958)
Menti Nostrae, 23 de Setembro de 1950
Assim como toda a vida do Salvador foi ordenada para o sacrifício de si mesmo, também a vida do sacerdote, que deve reproduzir em si a imagem de Cristo, deve ser com ele, por ele, e nele um sacrifício aceitável.
Em verdade, a oferta que o Senhor fez de si mesmo sobre o Calvário não foi somente a imolação do seu Corpo; ele ofereceu-se a si mesmo, hóstia de expiação, como cabeça da humanidade, e por isso "enquanto encomenda nas mãos do Pai o seu espírito, encomenda a si mesmo a Deus como homem, para encomendar a Deus todos os homens".
A mesma coisa sucede no sacrifício eucarístico, que é a renovação incruenta do sacrifício da cruz: Cristo oferece-se ao Pai pela sua glória e pela nossa salvação. E enquanto ele, sacerdote e vítima, procede como cabeça da Igreja, oferece e imola não somente a si mesmo, mas a todos os fiéis, e de certo modo todos os homens.
Ora, se isso vale para todos os féis, por maior título vale para os sacerdotes, que são ministros de Cristo, principalmente para a celebração do sacrifício eucarístico. E precisamente no sacrifício eucarístico, quando "na pessoa de Cristo" consagra o pão e o vinho que se tornam corpo e sangue de Cristo, o sacerdote pode tirar da mesma fonte da vida sobrenatural os inexauríveis tesouros da salvação e todos os auxílios que lhe são necessários pessoalmente e à realização da sua missão.

Mediator Dei, 20 de Novembro de 1947
A Igreja, pois, fiel ao mandato recebido do seu Fundador, continua o ofício sacerdotal de Jesus Cristo, sobretudo com a sagrada liturgia. E o faz em primeiro lugar no altar, onde o sacrifício da cruz é perpetuamente representado e renovado, com a só diferença no modo de oferecer.

Cristo está presente no augusto sacrifício do altar, quer na pessoa do seu ministro, quer por excelência, sob as espécies eucarísticas.

O mistério da santíssima eucaristia, instituída pelo sumo sacerdote Jesus Cristo e, por vontade sua, perpetuamente renovada pelos seus ministros, é como a súmula e o centro da religião cristã.

O augusto sacrifício do altar não é, pois, uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima. "Uma... e idêntica é a vítima: aquele mesmo, que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes, se ofereceu então sobre a cruz; é diferente apenas, o modo de fazer a oferta".
Idêntico, pois, é o sacerdote, Jesus Cristo, cuja sagrada pessoa é representada pelo seu ministro. Este, pela consagração sacerdotal recebida, assemelha-se ao sumo Sacerdote e tem o poder de agir em virtude e na pessoa do próprio Cristo; por isso, com sua ação sacerdotal, de certo modo, "empresta a Cristo a sua língua, e lhe oferece a sua mão".
Também idêntica é a vítima, isto é, o divino Redentor, segundo a sua humana natureza e na realidade do seu corpo e do seu sangue. Diferente, porém, é o modo pelo qual Cristo é oferecido. Na cruz, com efeito, ele se ofereceu todo a Deus com os seus sofrimentos, e a imolação da vítima foi realizada por meio de morte cruenta livremente sofrida; no altar, ao invés, por causa do estado glorioso de sua natureza humana, "a morte não tem mais domínio sobre ele" e, por conseguinte, não é possível a efusão do sangue; mas a divina sabedoria encontrou o modo admirável de tornar manifesto o sacrifício de nosso Redentor com sinais exteriores que são símbolos de morte. Já que, por meio da transubstanciação do pão no corpo e do vinho no sangue de Cristo, têm-se realmente presentes o seu corpo e o seu sangue; as espécies eucarísticas, sob as quais está presente, simbolizam a cruenta separação do corpo e do sangue. Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima.


Papa São Pio X (1903-1914)
Haerent Animo, 4 de Agosto de 1908
Porém, acima de tudo como Ministros do sacrifício por excelência, perpetuamente renovado pela salvação do mundo, devemos pôr-nos no estado de espírito com que o próprio Cristo, Hóstia Imaculada, se ofereceu a Deus no altar da cruz. Porque, se outrora, quando tudo eram apenas aparências e figuras, se exigia tão grande santidade dos padres, qual não será hoje nossa obrigação quando a vítima é Cristo!

Catecismo do Papa São Pio X
A Eucaristia não é somente um Sacramento; é também o sacrifício permanente da Nova Lei, que Jesus Cristo deixou à Igreja, para ser oferecido a Deus pelas mãos dos seus sacerdotes.

A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, oferecido sobre os nossos altares, debaixo das espécies de pão e de vinho, ein memória do sacrifício da Cruz.

O Sacrifício da Missa é substancialmente o mesmo que o da Cruz, porque o mesmo Jesus Cristo, que se ofereceu sobre a Cruz, é que se oferece pelas mãos dos sacerdotes seus ministros, sobre os nossos altares, mas quanto ao modo por que é oferecido, o sacrifício da Missa difere do sacrifício da Cruz, conservando todavia a relação mais íntima e essencial com ele.

Entre o Sacrifício da Missa e o sacrifício da Cruz há esta diferença e esta relação: que Jesus Cristo sobre se ofereceu derramando o seu sangue e merecendo para nós; ao passo que sobre os altares Ele se sacrifica sem derramamento de sangue, e nos aplica os frutos da sua Paixão e Morte.


Papa Leão XIII (1878-1903)
Mirae Caritatis 28 de Maio de 1902
Conhecer com fé íntegra a virtude da Santíssima Eucaristia, tal qual é, é conhecer tal qual é a obra que, na sua onipotente misericórdia, Deus feito homem realizou em favor do gênero humano. Porquanto a mesma fé que nos obriga a confessar e a honrar a Cristo como o soberano Autor da nossa salvação, o qual, pela sua sabedoria, pelas suas leis, ensinamentos, exemplos e pela efusão do seu sangue, renovou todas as coisas, igualmente nos força a crê-lo e adorá-lo assim realmente presente na Eucaristia, onde ele próprio permanece mui verdadeiramente até o fim dos tempos no meio dos homens, e como mestre e pastor cheio de bondade, como intercessor onipotente junto a seu Pai, para haurir em si mesmo e distribuir a eles com eterna abundância os benefícios da sua redenção. Quem atenta e religiosamente considerar os benefícios que emanam da Eucaristia, compreenderá que o mais excelente e o mais eminente é aquele que contém todos os outros, sejam quais forem: com efeito, é da Eucaristia que se transfunde nos homens essa vida que é a verdadeira vida: O Pão que darei é a minha carne para a vida do mundo (Jo 6, 52).
Para os sacerdotes, a quem Cristo nosso Redentor confiou o ofício de consagrar e dispensar o mistério de Seu Corpo e Sangue, certamente não podem fazer um melhor retorno para a honra que lhes foi conferida, do que promover com toda a força a glória da Sua Eucaristia, e convidar e atrair os corações dos Homens para as fontes de vida deste grande Sacramento e Sacrifício, seguindo os anseios do Seu Sagrado Coração.



Papa Urbano VIII (1623-1644)
Se existe algo na nossa vida de absolutamente divino, algo que os próprios cidadãos do Céu podem nos invejar, isso é certamente o Santo Sacrifício da Missa.


São Francisco de Sales, 1567-1622
Introdução à vida devota
O santíssimo Sacrifício do altar é, entre os exercícios da religião, como o sol entre os astros, porque é verdadeiramente a alma da piedade e o centro da religião cristã, ao qual todos os seus mistérios e todas as suas leis se relacionam; é o mistério inefável da divina caridade, pelo qual Jesus Cristo, dando-se realmente a nós, cumula-nos com suas graças de maneira igualmente amável e magnificente.

Concílio de Trento (1545-1563)
Sessão XXII
Em virtude de que neste sacrifício que se faz na Missa, está contido e se sacrifica, sem dores, naquele mesmo a que Cristo Se ofereceu dolorosamente no altar da cruz...a hóstia e o vinho são exatamente Ele, que agora é oferecido pelo ministério dos sacerdotes, Ele que outrora se ofereceu a Si mesmo na cruz, com apenas a diferença do modo de oferecer-se.

Se alguém disser que não se oferece a Deus na Missa um verdadeiro e apropriado sacrifício ou que este oferecimento não é outra coisa senão recebermos a Cristo para que o possamos engolir, seja excomungado.

Se alguém disser que naquelas palavras: "Fazei isto em memória de Mim", Cristo não instituiu como sacerdotes os Apóstolos, ou que não lhes ordenou e aos demais sacerdotes que oferecessem Seu Corpo e Sangue, seja excomungado.

Se alguém disser que o sacrifício da Missa é apenas um sacrifício de elogio e de ação de graças, ou mera recordação do sacrifício consumado na cruz, mas que não é próprio, ou que apenas é aproveitável àquele que o recebe, e que não se deve oferecer pelos vivos nem pelos mortos, pelos pecados, penas, satisfações nem outras necessidades, seja excomungado.



Papa Urbano IV (1261-1264)
Transiturus de hoc Mundo (instituição da festa do Corpo de Deus), 11 de Agosto de 1264
Cristo, nosso salvador, estando para partir deste mundo para ascender ao Pai, pouco antes da Sua Paixão, na Última Ceia, instituiu, em memória da Sua morte, o supremo e magnífico sacramento de Seu Corpo e Seu Sangue, dando-nos o Corpo como alimento e o sangue como bebida.
Sempre que comemos esse pão e bebemos deste cálice proclamamos a morte do Senhor, porque disse aos apóstolos durante a instituição deste sacramento: "Façam isto em memória de mim" para que este grande e venerável sacramento seja a principal e grande lembrança do grande amor com que Ele nos amou.

São Lourenço Justiniano (1381-1456)
Nenhuma língua humana pode enumerar os favores que remontam ao Sacrifício da Missa. O pecador é reconciliado com Deus; o homem justo se torna mais reto; os pecados são apagados; os vícios são desarraigados; virtude e mérito aumenta; e os esquemas do diabo são frustrados.

Papa Inocente III (1198-1216)
Pelo poder do Santo Sacrifício da Missa todas as virtudes são aumentadas em nós e obtemos uma abundante parte dos frutos da Graça.

São Francisco de Assis (1182-1226)
Ardia com o fervor do mais profundo de todo o seu ser para com o sacramento do Corpo do Senhor, pois ficava absolutamente estupefato diante de tão amável condescendência e de tão digna caridade. Achava que era um desprezo muito grande não assistir pelo menos a uma missa cada dia, se pudesse. Comungava com freqüência e com tamanha devoção que tornava devotos também os outros.

Certa ocasião quis mandar os frades pelo mundo com preciosas âmbulas para guardarem o preço de nossa redenção no melhor lugar, onde quer que o encontrassem guardado de maneira menos digna.

Queria que se tivesse a maior reverência para com as mãos sacerdotais, pelo poder divino que lhes foi conferido para a confecção do santo sacramento. Dizia frequentemente: “Se e acontecesse de encontrar ao mesmo tempo um santo descido do céu e um sacerdote pobrezinho, saudaria primeiro o presbítero, e me apressaria a beijar as suas mãos. Até diria: ‘Espera, São Lourenço, porque as mãos deste homem tocam a Palavra da vida e têm algo de sobre-humano’”»

Ao receber o Cordeiro imolado, imolava o seu espírito com aquele fogo que sempre ardia no altar de seu coração.

Ao saborear o Cordeiro imaculado suavemente, como se estivesse ébrio no espírito, na mente era quase sempre arrebatado em êxtase.

Pasme o homem inteiro, estremeça todo o mundo e exulte o céu quando, sobre o altar, na mão do sacerdote, está Cristo, Filho do Deus vivo.

Ó admirável alteza e estupenda condescendência! Ó humildade sublime! Ó sublimidade humilde, pois o Senhor do Universo, Deus e Filho de Deus, de tal maneira se humilha que, por nossa salvação, se esconde sob uma pequena forma de pão!

Escreveu uma vez aos frades: «rogo a todos vós, irmãos, com o beijo dos pés e com a caridade que posso, que manifesteis toda reverência e toda honra, tanto quanto puderdes, ao santíssimo corpo e sangue do Senhor nosso Jesus Cristo».

Em uma carta aos Custódios, parece escrever de joelhos: «eu vos rogo, mais do que por mim mesmo, que, quando for conveniente e virem que é oportuno, supliqueis humildemente aos clérigos, que devam venerar sobre todas as coisas o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo (...). Devem ter preciosos os cálices, corporais, ornamentos do altar e tudo que pertence ao sacrifício. E se em algum lugar estiver colocado pauperrimamente o santíssimo Corpo do Senhor, que por eles seja posto em lugar precioso e fechado à chave, de acordo com o mandato da Igreja, e seja levado com grande veneração e administrado aos outros com discrição. (...) Quando é sacrificado pelo sacerdote sobre o altar e é levado a alguma parte, todas as pessoas, de joelhos, retribuam louvores, glória e honra ao Senhor Deus vivo e verdadeiro».

O Senhor me deu e dá tanta fé nos sacerdotes, que vivem segundo a forma da santa Igreja Romana, por causa de sua ordem, que, se me fizerem perseguição, quero recorrer a eles mesmos. E não quero considerar pecado neles, porque enxergo neles o Filho de Deus

Vede vossa dignidade, irmãos sacerdotes, e sede santos, porque Ele é santo. E assim como o Senhor Deus os honrou acima de todos por causa desse ministério, assim também vós amai-o, reverenciai-o e honrai-o sobre todos.

Os Sacerdotes possam sempre «celebrar a missa, puros com pureza façam com reverência o verdadeiro Sacrifício do Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor nosso Jesus Cristo, com intenção santa e limpa».

Papa São Gregório Magno (540-604)
Os céus abertos e multidões de anjos vêm para ajudar no Santo Sacrifício da Missa.

São João Crisóstomo (347-407)
Poderá ser puro demais quem oferece um tal sacrifício? Não seria preciso que fosse mais imaculada que o raio de sol a mão que divide esta carne, a boca que se enche deste fogo espiritual, a língua que se enrubesce de um sangue tão tremendo?

Nós oferecemos sempre o mesmo Cordeiro, e não um hoje e amanhã outro, mas sempre o mesmo. Por este motivo, o sacrifício é sempre um só. [...] Também agora estamos a oferecer a mesma vítima que então foi oferecida e que jamais se exaurirá.

São Pedro Crisólogo (380-450)
Sê sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te deu a divina autoridade. Reveste-te da estola da santidade; cinge-te com o cinto da castidade; seja Cristo o véu que te cubra a cabeça; a cruz esteja como baluarte sobre a tua fronte; coloca em teu peito o sacramento da divina ciência; queima sempre o incenso da oração; cinge a espada do Espírito; faz do teu coração como que um altar e assim seguro oferece teu corpo como vítima a Deus. Oferece a fé, de modo que seja punida a perfídia; imola o jejum, a fim de que cesse a voracidade; oferece em sacrifício a castidade, para que morra a sensualidade; coloca sobre o altar a piedade, para que seja deposta a impiedade; atrai a misericórdia, para que seja destruída a avareza; e para que desapareça a insensatez, convém imolar sempre a santidade: assim teu corpo será a tua hóstia, se não for ferido por alguma seta do pecado.

São Cipriano de Cartago (séc.III)
Este pão sobrenatural e este cálice consagrado são para a saúde e salvação da humanidade.

Santo Ireneu (130-202)
A oblação da Igreja, portanto, que o Senhor deu instruções para ser oferecida em todo o mundo, é apresentada a Deus como um sacrifício puro, e é aceitável para Ele; não que ele precise de um sacrifício de nós, mas para que aquele que oferece é ele próprio glorificado no que ele oferece, se o seu presente é aceite.


Didaqué (instrução dos doze Apóstolos) (cerca 70dc)
Reúnam-se em cada dia do Senhor e partam o pão, e deem ações de graças após ter confessado seus pecados, com o propósito que seu sacrifício seja puro.
Mas não deixe que qualquer pessoa que tem um rancor contra o seu irmão ou aquele que se encolerizar contra seu irmão reúna-se contigo para tomar a ceia, até que eles se reconciliem, para que seu sacrifício não seja profanado.
Porque isso é o que foi dito pelo Senhor.
"Em todo lugar e tempo oferecerão a mim um sacrifício puro, porque eu sou grande Rei, diz o Senhor, e o meu nome é maravilhoso entre as nações."
Portanto, nomeiem para vós bispos e diáconos dignos de Nosso Senhor, [entre] homens que são mansos, e não amantes do dinheiro, e verdadeiros e provados, para que eles também possam dar-vos o serviço de profetas e professores.

Santo André Apóstolo (séc. I)
O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.



Apocalipse 19,7:9
Alegremo-nos, exultemos e demos glória a Ele, porque chegou a hora das bodas do Cordeiro e sua noiva já está preparada”. Para vestir-se, foi-lhe providenciado linho fino, puro e resplandecente. O linho fino representa os atos de justiça dos santos. Então, o anjo me ordenou: “Escreve: Bem-aventurados os que são chamados ao banquete das núpcias do Cordeiro!” E disse-me mais: “Estas são as exatas palavras de Deus!”


Actos dos Apóstolos 2,46
Diariamente, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração

Porque David não subiu ao céu, mas ele mesmo diz: O Senhor disse ao meu Senhor: Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés (S. 110,1). Saiba, pois, toda a casa de Israel com a maior certeza que Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus, a quem vós crucificastes

1 Coríntios 1:23,24
Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus.

1 Coríntios 10,16
Não é verdade que o cálice da bênção que abençoamos é a comunhão do sangue de Cristo? Acaso o pão que partimos não é nossa participação no Corpo de Cristo?

1 Coríntios 11,26
"Todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice, anunciareis a morte do Senbor, até que ele venha."

1 Coríntios 11,27
Por esse motivo, quem comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.

1 Coríntios 11,29
Pois quem come e bebe sem ter consciência do corpo do Senhor, come e bebe para sua própria condenação.

Hebreus 7,1-3
Porquanto, esse Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando este voltava, depois de haver derrotado os reis, e o abençoou; para o qual também Abraão entregou o dízimo de tudo; em primeiro lugar, seu nome quer dizer “Rei de Justiça”; em segundo lugar, “Rei de Salém”, que significa, “Rei da Paz”;
sem pai, sem mãe, sem origem nem antepassados, sem princípio de dias nem fim de vida; no entanto, por ser à semelhança do Filho de Deus, Ele permanece sacerdote perpetuamente. Cristo supera o sacerdócio levítico

Hebreus 12,24
a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que se expressa com mais veemência do que o sangue de Abel.

Romanos 12,1
Portanto, caros irmãos, rogo-vos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.

Evangelho de São Lucas 1,30-33
Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.
E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;
E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

Evangelho de São João 3,16
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Evangelho de São João 6,51
Eu sou o Pão Vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá eternamente; e o pão que deverei dar pela vida do mundo é a minha carne.

Evangelho de São João 6,52
...“Como pode este homem dar-nos a comer a sua própria carne?”

Evangelho de São João 6,53:56
Então Jesus os advertiu: “Em verdade, em verdade vos afirmo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida dentro de vós. Todo aquele que comer a minha carne e beber o meu sangue tem vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida.
Aquele que come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e Eu nele.

Evangelho de São João 10, 17-18
Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.
Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Evangelho de São João 17,3
E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Evangelho de São Mateus 26,26-28
"Tomai, comei; isto é o meu corpo"..."isto é o meu sangue"
Evangelho de São Marcos 14,22-24
“Tomai, isto é o meu corpo”..."Isto é o meu sangue"
Evangelho de São Lucas 22,19-20
“Isto é o meu corpo"..."..."Este cálice significa a nova aliança no meu sangue"

Evangelho de São Mateus 26,29
E vos afirmo que, de agora em diante, não mais tomarei deste fruto da videira até aquele dia em que beberei o novo vinho, convosco, no Reino de meu Pai.

Evangelho de São Mateus 28,20
E assim, Eu estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos.

Evangelho de São João
Jesus respondeu; «Esta voz não veio por amor de mim, mas por amor dè vós. Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim.» Dizia isto para designar de que morte havia de morrer.

Evangelho de São Mateus
Perto da hora nona, exclamou Jesus com voz forte; <Eli, Eli, lema sabachtani?» isto é: meu Deus. meu Deus, porque me abandonaste?

O centurião e os que com ele estavam de guarda a Jesus, vendo o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande medo, e diziam: «Na verdade este era Filho de Deus.»


Salmo 26,6
Lavo minhas mãos em sinal de inocência e, assim, poderei andar ao redor do teu altar, ó SENHOR.

Salmo 51,2
Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado.

Salmo 141,2
Que minha oração seja como incenso diante de ti; minhas mãos erguidas, oferenda vespertina!

Salmo 110
Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.

Salmo 116, 12-13
Que darei eu ao Senhor por todos os seus benefícios? Elevarei o cálice da salvação invocando o nome do Senhor.

Salmo 21
Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Estás longe das preces, das palavras do meu clamor.
...
Todos os que me vêem, escarnecem de mim,
franzem os lábios, meneiam a cabeça (dizendo):
«Esperou no Senhor: livre-o, salve-o, se é que o ama.»
...
Fui-te consagrado, logo desde o nascimento,
tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.
...
Com efeito, me rodeiam muitos cães (raivosos),
uma turba de malfeitores me cerca.
Traspassaram as minhas mãos e os meus pés,
posso contar todos os meus ossos.
Eles, porém, olham e, vêndo-me, se alegram;
repartem entre si as minhas vestes,
e lançam sortes sobre a minba túnica.
Mas tu, Senhor, não estejas longe de mim:
meu amparo, apressa-te a ajudar-me.
...
Anunciarei o teu nome aos meus irmãos.
no meio da assembleia te louvarei.

Isaías 53,7
Ele foi maltratado, humilhado, torturado; contudo, não abriu a sua boca; agiu como um cordeiro levado ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não expressou nenhuma palavra.

1 Samuel 21,6
Em seguida, o sacerdote lhe deu os pães que haviam sido consagrados, porque não havia outro alimento disponível, salvo o de oblação, o pão da Presença, que se retira de diante de Yahweh, o SENHOR, e que tinham sido tirados da mesa sagrada e trocados por pães quentes.

Êxodo 12,14
Este dia será um memorial que vocês e todos os seus descendentes celebrarão como festa ao Senhor. Celebrem-no como decreto perpétuo.

Êxodo 23,18
Não oferecerás o sangue de um sacrifício feito em minha honra, com pão fermentado, nem a gordura das ofertas de minhas festas deverá ser guardada até a manhã seguinte.

Êxodo 24,8
Moisés tomou do sangue e o aspergiu sobre o povo, e proclamou: “Este é o sangue da Aliança que Yahweh fez convosco, por meio de todos esses mandamentos!”

Êxodo 25,8
Faz-me, também, um santuário, para que Eu possa habitar entre o meu povo.

Êxodo 25,22
Ali, sobre a tampa, que é o propiciatório, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a Arca, Eu me encontrarei contigo no tempo certo, e falarei a ti de cima do tampo, dentre os dois querubins que estão sobre a Arca que contém o Testemunho da Aliança, a respeito de tudo o que te ordenarei para os filhos de Israel.

Êxodo 25,30
E colocarás, sobre a mesa, os pães da Presença, para que estejam diuturnamente diante de mim.

Êxodo 27,20
Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de olivas amassadas, para o candelabro, para que haja lâmpadas continuamente acesas no recinto.

Êxodo 34,29
Quando Moisés desceu do monte Sinai com as duas Tábuas da Aliança nas mãos, não fazia ideia de que seu rosto resplandecia pelo facto de ter falado com Deus.
(Jesus vem até nós velado, sob a aparência de pão e vinho. Não conseguimos suportar a luz superbrillante de Sua plena glória em comparação com nossas próprias almas escuras pelo pecado.)

1Reis 7,48
Assim Salomão fez todos os utensílios que pertenciam à Casa do Senhor, o Eterno: o altar de ouro e a mesa de ouro, sobre a qual repousavam os pães da Proposição, oferecidos à Presença de Deus;

Levítico 23,11-13
Ele o oferecerá diante do Senhor, com gesto ritual de apresentação, e no dia em que fizerdes essa apresentação, oferecereis ao SENHOR o holocausto de um cordeiro de um ano de idade, sem defeito. Sua oferta de cereal, nesse dia, será o equivalente a dois jarros da melhor farinha amassada com óleo, oferenda queimada para o Senhor, de aroma agradável, e uma oferta derramada, libação equivalente a um litro de vinho.

Malaquias 1,11
Desde o nascente ao poente, o meu nome é grande entre as nações, e em todo o lugar se oferece ao meu nome um sacrifício fumegante e uma oblação pura, porque o meu nome é grande entre as nações, diz o Senhor dos exércitos.

Jeremias 33,18
E da linhagem dos sacerdotes e dos levitas não faltará jamais um homem que ofereça holocaustos em minha presença, que acenda o fogo para queimar a oblação, que imole vítimas todos os dias.

Génesis 14,18-20
E Melquisedec rei de Salém, trazendo pão e vinho, porque era sacerdote do Deus Altíssimo, o abençoou e lhe disse: bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra, e bendito seja o Deus Altíssimo por cuja protecção os inimigos estão nas tuas mãos.

Génesis 4,10
Exclamou o SENHOR: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim."

Génesis 1,1-4
No princípio Deus criou o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus movia-se sobre a superficie das águas.
E disse Deus: Faça-se luz; e fez-se luz.
E Deus viu que era boa a luz; e Deus fez a separação entre a luz e as trevas.

Evangelho de São João, prólogo
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.
A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João.
Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele.
Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz, a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem.
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu.
Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.




Participar na Eucaristia, obedecer ao Evangelho, comer o Corpo e beber o sangue do Senhor, significa fazer da nossa vida um sacrifício agradável a Deus: por Cristo, com Cristo e em Cristo.


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Esquecermo-nos de Deus é o perigo mais iminente do nosso tempo

Excertos da intervenção do Cardeal Robert Sarah no Quinto Roman Colloquium on Summorum Pontificum sobre Deus no centro da celebração litúrgica:

Devemos ser incansáveis ​​em anunciar a boa nova do Evangelho: que o pecado e a morte foram conquistados por Nosso Senhor Jesus Cristo cujo Sacrifício na Cruz nos permitiu obter o perdão que nossos pecados exigem e viver com alegria neste mundo e em forte esperança da vida sem fim no próximo.

A Igreja é chamada a anunciar esta boa nova de todas as formas possíveis, a toda pessoa humana em todas as terras e em todas as épocas. Esses esforços missionários e apostólicos essenciais, que são nada menos que um imperativo dado à Igreja pelo próprio Senhor (Mt 28, 19-20), são eles mesmos baseados em uma realidade maior: nosso encontro eclesial com Jesus Cristo na Sagrada Liturgia.

Cada celebração litúrgica deve ter Deus como centro, e somente Deus e nossa santificação.

A liturgia católica é o locus singularmente privilegiado da acção salvadora de Cristo em nosso mundo de hoje, por meio da participação real em que recebemos Sua graça e força tão necessária para a nossa perseverança e crescimento na vida cristã. É o lugar divinamente instituído onde viemos cumprir o nosso dever de oferecer sacrifício a Deus, de oferecer o Único Sacrifício Verdadeiro. É onde percebemos a nossa profunda necessidade de adorar o Deus Todo-Poderoso. A liturgia católica é algo sagrado, algo que é sagrado por sua própria natureza. A liturgia católica não é uma reunião humana comum.

É Deus e não o homem quem está no centro da liturgia católica. Nós viemos adorá-Lo. A liturgia não é sobre você e eu; Não é onde celebramos a nossa própria identidade ou realizações ou exaltamos ou promovemos a nossa própria cultura e costumes religiosos locais. A liturgia é antes de mais sobre Deus e o que Ele fez por nós. Em Sua Divina Providência, Deus Todo Poderoso fundou a Igreja e instituiu a Sagrada Liturgia através da qual podemos oferecer-lhe o verdadeiro culto de acordo com a Nova Aliança estabelecida por Cristo.

Portanto, Deus deve vir primeiro em cada elemento da nossa celebração litúrgica. É por amor a Ele e para adorá-Lo de forma mais completa, que reservamos e consagramos pessoas, lugares e coisas especificamente para o Seu serviço na Sagrada Liturgia.

Tanto as nossas celebrações litúrgicas como nós, nos tornaremos os belos ícones da Sua presença salvadora através dos quais aqueles que não conhecem Cristo e Sua Igreja podem encontrar o belo caminho para a salvação.

Esquecermo-nos de Deus é o perigo mais iminente do nosso tempo.
Em contraposição, a liturgia deve estabelecer um sinal da presença de Deus.

Texto completo em: http://www.newliturgicalmovement.org/2017/09/silence-and-primacy-of-god-in-sacred.html

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A Cruz é a glória e a exaltação de Cristo - Santo André de Creta

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo
(Sermão 10, na Exaltação da Santa Cruz: PG 97, 1018-1019.1022-1023) (Sec. VIII)

A cruz é a glória e a exaltação de Cristo

Celebramos a festa da santa cruz, que dissipou as trevas e nos restituiu a luz. Celebramos a festa da santa cruz, e juntamente com o Crucificado somos elevados para o alto, para que, deixando a terra do pecado, alcancemos os bens celestes. Tão grande é o valor da cruz, que quem a possui, possui um tesouro. E chamo a justamente tesouro, porque é na verdade, de nome e de facto, o mais precioso de todos os bens. Nela está a plenitude da nossa salvação e por ela regressamos à dignidade original.
Com efeito, sem a cruz, Cristo não teria sido crucificado. Sem a cruz, a Vida não teria sido cravada no madeiro. E se a Vida não tivesse sido crucificada, não teriam brotado do seu lado aquelas fontes de imortalidade, o sangue e a água, que purificam o mundo; não teria sido rasgada a sentença de condenação escrita pelo nosso pecado, não teríamos alcançado a liberdade, não poderíamos saborear o fruto da árvore da vida, não estaria aberto para nós o Paraíso. Sem a cruz, não teria sido vencida a morte, nem espoliado o inferno.
Verdadeiramente grande e preciosa realidade é a santa cruz! Grande, porque é a origem de bens inumeráveis, tanto mais excelentes quanto maior é o mérito que lhes advém dos milagres e dos sofrimentos de Cristo. Preciosa, porque a cruz é simultaneamente o patíbulo e o troféu de Deus: o patíbulo, porque nela sofreu a morte voluntariamente; e o troféu, porque nela foi mortalmente ferido o demónio, e com ele foi vencida a morte. E deste modo, destruídas as portas do inferno, a cruz converteu se em fonte de salvação para todo o mundo.
A cruz é a glória de Cristo e a exaltação de Cristo. A cruz é o cálice precioso da paixão de Cristo, é a síntese de tudo quanto Ele sofreu por nós. Para te convenceres de que a cruz é a glória de Cristo, ouve o que Ele mesmo diz: Agora foi glorificado o Filho do homem e Deus foi glorificado n’Ele e em breve O glorificará. E também: Glorifica me, ó Pai, com a glória que tinha junto de Ti, antes de o mundo existir. E noutra passagem: Pai, glorifica o teu nome. Veio então uma voz do Céu: ‘Eu O glorifiquei e de novo O glorificarei’.
E para saberes que a cruz é também a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando Eu for exaltado, então atrairei todos a Mim. Como vês, a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Fonte: http://liturgia.pt/santos/santo_v.php?cod_santo=152

A Santíssima Eucaristia no Código de Direito Canónico

TÍTULO III
DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA

Cân. 897 — O augustíssimo Sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual o próprio Senhor Jesus Cristo se contém, se oferece e se recebe, e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua através dos séculos o Sacrifício da Cruz, é a culminância e a fonte de todo o culto e da vida cristã, pelo qual se significa e se realiza a unidade do povo de Deus e se completa a edificação do Corpo de Cristo. Os demais sacramentos e todas as obras eclesiásticas de apostolado relacionam-se com a santíssima Eucaristia e para ela se ordenam.

Cân. 898 — Os fiéis tenham em suma honra a santíssima Eucaristia, participando activamente na celebração do augustíssimo Sacrifício, recebendo com grande  devoção  e  com  frequência  este  sacramento,  e  prestando-lhe  a  máxima adoração; os pastores de almas, ao explanarem a doutrina sobre este sacramento, instruam diligentemente os fiéis acerca desta obrigação.



CAPÍTULO I
DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

Cân. 899 — § 1. A celebração eucarística é uma acção do próprio Cristo e da Igreja, na qual Cristo nosso Senhor, substancialmente presente sob as espécies do pão e do vinho, pelo ministério do sacerdote, se oferece a Deus Pai e se dá como alimento espiritual aos fiéis associados na sua oblação.


§ 2. Na Assembleia eucarística, o povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do Bispo ou, sob a sua autoridade, do presbítero, que faz as vezes de Cristo, e todos os fiéis presentes, quer clérigos quer leigos, com a sua participação para ela concorrem, cada qual a seu modo, segundo a diversidade de ordens e de funções litúrgicas.

§ 3. Ordene-se a celebração eucarística de modo que todos os participantes dela aufiram os maiores frutos, para cuja obtenção o Senhor Jesus Cristo instituiu o Sacrifício eucarístico.

Fonte: http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf

Devemos meditar no que na Santa Missa é o nosso ponto de referência, o que é o "Isto" que Nosso Senhor mandatou os Apóstolos de "Fazer", de forma a que pela nossa participação consciente, activa e piedosa sejamos transformados pela "adoração em espírito e verdade que o Pai deseja" (João 4, 23-24).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Felizes os convidados para o banquete do Senhor

Actualmente em português o sacerdote diz:
Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

No original em latim, já desde a 1ª edição do Beato Papa Paulo VI, vem indicado como:
Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccáta mundi.
Beáti qui ad cenam Agni vocáti sunt.

Numa tradução mais directa ficaria na forma:
Eis o Cordeiro de Deus, eis O que tira os pecados do mundo.
Felizes os convidados para o banquete do Cordeiro.

Aqui as núpcias do Cordeiro referem-se ao que vem no livro do Apocalipse em Ap 19,5-9, aqui é descrito o triunfo no Céu que diz:
E veio uma voz do trono, que dizia:
«Louvai o nosso Deus,
vós, todos os seus servos, que o reverenciais,
pequenos e grandes!»
Ouvi ainda algo semelhante ao alarido de uma grande multidão ou ao rumor das águas do mar, ou ainda ao ribombar de grandes trovões. E dizia:
«Aleluia!
O Senhor nosso Deus,
o Todo-Poderoso,
começou o seu reinado!
Alegremo-nos, rejubilemos,
dêmos-lhe glória;
porque chegou o momento das núpcias do Cordeiro;
a sua esposa já está ataviada.
Ele ofereceu-lhe um vestido de linho resplandecente e puro.»
O linho representa as boas obras dos santos. Depois disse-me: «Escreve: Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro!» E acrescentou: «Estas são palavras verdadeiras, do próprio Deus.»

Na forma que usamos em português em primeiro lugar alegramo-nos por podermos participar na ceia do Senhor, na comunhão da Eucaristia e alegramo-nos por ver e reconhecer o Cordeiro de Deus que pela morte e ressurreição tira o pecado do mundo. Este reconhecimento é importante e juntamente com a união ao Sacrifício da Cruz torna a nossa participação numa boa participação.

Na forma original em latim a oração tem um aspecto ainda mais profundo, em primeiro lugar vemos e reconhecemos o Cordeiro de Deus que pela morte e ressurreição tira os pecados do mundo depois alegramo-nos não só pela participação na comunhão da Eucaristia mas também no fortalecimento da Esperança de um dia chegarmos ao banquete celeste onde estaremos junto de Deus.
Desta forma o aproximar-nos do santuário para recebermos a comunhão é como uma antecipação e uma Esperança do banquete celeste, fortalecidos e alimentados na alma por Cristo aqui caminhamos com a Esperança para a Pátria Celeste.
Acho este sentido original da oração em latim muito profundo, o momento ganha ainda mais de dimensão sagrada.
Como os Sacramentos são dons de Deus, não são apenas para aumentar e alimentar a Fé, são meios que nos permitem entrar no bem que é o próprio Deus e nos configurarmos a Cristo, pertencendo ao Seu Corpo Místico, faz todo o sentido junto com a comunhão da Eucaristia vermos também uma antecipação e uma Esperança de participação do triunfo no Céu.

Por Cristo, com Cristo e em Cristo

"Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre."

Sobre esta oração partilho um excerto de um livro do bispo São Manuel González, canonizado pelo Papa Francisco, que melhor do que eu sabe explicar a beleza dessa oração:

"A Missa é a verdadeira oblação do Sacrifício, não apenas do corpo físico de Jesus Cristo, mas também do Corpo Místico. E, portanto, de todos os seus membros saudáveis, isto é, os cristãos em estado de graça, oferecem-se e são oferecidos a Deus como Missa, da mesma forma, com o mesmo valor e apreço com que se oferece Cristo.
Ou seja, como pelo Baptismo somos incorporados ao Corpo Místico de Cristo e somos um de seus membros, pela Santa Missa somos enxertados no Seu Sacrifício, de modo que corremos o mesmo destino abençoado do Corpo sacrificado ao qual pertencemos.
Através e em virtude deste meu enxerto no Augusto Sacrifício, sempre que eu ofereço uma Missa, e participe nela em um estado de graça, a Majestade de Deus recebe desta criatura de pó, a mesma coisa. A mesma glória que lhe dá a propiciação, louvor, gratidão e oração de seu Filho imolado, Cabeça, Alma e Vida do Corpo de que sou membro.
É por isso que o sacerdote, após a consagração, ao mesmo tempo que levanta o cálice do sangue e a Hóstia Sagrada, pode dizer em nome de toda a Igreja, que é o seu Corpo Místico, diante do céu, da Terra e dos abismos, para a Trindade Augusta: Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a Vós Deus Pai todo-poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda a glória agora e para sempre.
Que alegria a minha alma sente! Por muito ofendido, desprezado, blasfemado e injustamente tratado que Deus seja por muitos homens, a minha Mãe, a Igreja e cada um de nós que temos a felicidade de pertencer ao seu corpo e alma, podemos dar a Deus infinitamente mais glória do que ofensas Ele pode receber dos pecados dos homens.
Enchei as vossas almas desta única ideia e deste único sentimento: Eu vou dar a Deus nesta Missa toda a sua glória, para que essa Missa seja minha!
Que satisfação do dever cumprido pode ser comparado ao pagamento a Deus como Ele merece?
Tem a ciência ascética, arte ou a vida, memória, meio ou segredo mais poderoso do que a Missa para produzir nas almas a glória de Deus?
Pois: quanto mais santidade a Igreja possui, o principal oferente visível do Sacrifício e, portanto, quanto mais santos são os que a formam, mais intensa, agradável e aceitável será a glória que, por cada Missa, sobe da Terra ao Céu. A melhor enxerto, melhor fruto!"

Que maior alegria pode haver em termos dado a Deus toda a honra e toda a glória?
Só o fizemos porque o fizemos em união com o Sacrifício da Cruz no Altar,  "Por Cristo, com Cristo e em Cristo".

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Santo André Apóstolo e a Santa Cruz

Palavras Santo André Apóstolo no julgamento do seu martírio: “O sacrifício que eu dia por dia offereço, não é incenso, não são holocaustos de bois e carneiros, mas é o Cordeiro immaculado, offerecido a Deus vivo e verdadeiro. Os fieis bebem o sangue e comem a carne deste Cordeiro, que não morre e a todos dá vida.

Da “Vida dos Santos” de Rohrbacher:

Santo André - primeiro Apóstolo a reconhecer Cristo, ao qual levou seu irmão Pedro, futuro primeiro Chefe da Igreja - teve sempre um grande amor à Cruz; na hora de sua morte, ao ver o madeiro no qual iriam pregá-lo, saudou-o com alegria.

Ele, diante de sua cruz, exclama:“Ó Cruz belíssima, que foste glorificada pelo contacto que tiveste com o Corpo de Cristo! Grande cruz, docemente desejada, ardentemente amada, sempre procurada, e, afinal, preparada para meu coração apressado, desejoso de ti”.

Antes de expirar disse estas palavras: 
Senhor, Rei Eterno da Glória, recebei-me assim pendido, como estou, ao madeiro, à cruz tão doce. Vós sois meu Deus. Vós a quem vi, não permitais me desliguem na cruz; fazei isto por mim, Senhor, que conheci a virtude da vossa Santa Cruz”.


Oração a Santo André

Santo André, Apóstolo de Jesus Cristo,
que conheceste a exigência
e a alegria de seu primeiro apelo,
dá-nos a graça de responder-lhe
com a mesma fidelidade,
de O servir cada dia
no lugar que Ele para nós escolheu.

Tu que distribuíste à multidão faminta
o pão que o Senhor multiplicava em tuas mãos,
obtém para nossa pobreza o mesmo milagre.
Faz que esperemos o socorro de Deus
com a invencível esperança do amor,
preocupados unicamente
com o advento de seu Reino.

Testemunha da boa-nova
que tua voz levou até as extremidades da terra,
conserva nos apóstolos de nosso tempo
esta fé viva que transporta montanhas
e constrói o Reino.

Mártir de teu testemunho,
concede-nos a graça de união à Cruz de Jesus Cristo;
que ela seja a alegria de nossa vida
e o penhor de nossa ressurreição na claridade de Deus.
Amém!

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Cristo é a luz no oriente litúrgico

Outrora as igrejas orientavam-se para o leste. Entrava-se no edifício sagrado por uma porta aberta para o ocidente e, caminhando pela nave, dirigia-se rumo ao oriente. Era um símbolo importante para o homem antigo, uma alegoria que ao longo da história decaiu progressivamente.

Nós, homens da época moderna, muito menos habituados a captar os grandes sinais do cosmos, quase nunca nos damos conta de um pormenor deste tipo. O ocidente é o ponto cardeal do pôr do sol, onde a luz desfalece. O oriente, ao contrário, é o lugar onde as trevas são vencidas pela primeira luz da aurora, evocando-nos Cristo, Sol que surgiu do alto no horizonte do mundo (cf. Lc 1, 78).

Os antigos ritos do Batismo previam que os catecúmenos emitissem a primeira parte da sua profissão de fé, com o olhar voltado para o ocidente. E naquela postura, eram interrogados: “Renunciais a Satanás, ao seu serviço e às suas obras?” — E os futuros cristãos repetiam em coro: “Renuncio!”. Depois, iam rumo à abside, na direção do oriente, onde nasce a luz, e os candidatos ao Batismo eram novamente interrogados: “Acreditais em Deus Pai, Filho e Espírito Santo?”. E desta vez, respondiam: “Creio!”.
Nos tempos modernos perdeu-se parcialmente o fascínio deste rito: perdemos a sensibilidade à linguagem do cosmos. Naturalmente, permaneceu-nos a profissão de fé, feita segundo a interrogação batismal, que é própria da celebração de alguns sacramentos. Contudo, ela conserva-se intacta no seu significado. O que quer dizer ser cristão? Significa olhar para a luz, continuar a fazer a profissão de fé na luz, enquanto o mundo estiver envolvido pela noite e pelas trevas.

Os cristãos não estão isentos das trevas, externas e inclusive internas. Não vivem fora do mundo, mas pela graça de Cristo, recebida no Batismo, são homens e mulheres “orientados”: não acreditam na escuridão, mas na luminosidade do dia; não sucumbem à noite, mas esperam na aurora; não são derrotados pela morte, mas anseiam por ressuscitar; não são vencidos pelo mal, porque confiam sempre nas possibilidades infinitas do bem.
E esta é a nossa esperança cristã. A luz de Jesus, a salvação que nos traz Jesus com a sua luz que nos salva das trevas.

Papa Francisco, Audiência Geral 2 de Agosto de 2017

Audiência em: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/audiences/2017/documents/papa-francesco_20170802_udienza-generale.html

domingo, 6 de agosto de 2017

Aos sacerdotes no domingo da Transfiguração de Nosso Senhor

Sacerdotes,
Nesta celebração do domingo da Transfiguração do Senhor deixai-vos iluminar pelo amor Divino e mostrai-nos Cristo.

Vós não sois presidentes de uma assembleia, vós sois sacerdotes ao serviço de Cristo.

No momento da consagração não estais a descrever uma memória do passado, é Cristo que no Altar oferece o Seu Sacrifício a Deus por nós.

Favorecei os momentos de silêncio para que a nossa alma possa respirar, escutar o que Deus nos quer dizer e elevar-se numa união contemplativa de amor a Deus.

Vós sois os nossos pastores, guiai-nos até Cristo.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O Concílio Vaticano II e a Santa Missa

O Concílio Vaticano II e a Santa Missa

Tal como acontecia antes do Concílio agora na Santa Missa continua a realizar-se no Altar o Sacrifício da Cruz de Nosso Senhor oferecido a Deus por nós.

O Concílio Vaticano II indica aos fiéis que na Santa Missa devem-se oferecer em união a este Sacrifício:

"Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual «Cristo, nossa Páscoa, foi imolado» (1 Cor. 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo (cfr. 1 Cor. 10,17). Todos os homens são chamados a esta união com Cristo, luz do mundo, do qual vimos, por quem vivemos, e para o qual caminhamos." (Lumen Gentium 3)

"Os fiéis pela participação no sacrifício eucarístico de Cristo, fonte e centro de toda a vida cristã, oferecem a Deus a vítima divina e a si mesmos juntamente com ela" (Lumen Gentium 11)

"Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas acções litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro - «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» - quer e sobretudo sob as espécies eucarísticas."(Sacrosanctum Concilium 7)

"O nosso Salvador instituiu na última Ceia, na noite em que foi entregue, o Sacrifício eucarístico do seu Corpo e do seu Sangue para perpetuar pelo decorrer dos séculos, até Ele voltar, o Sacrifício da cruz, confiando à Igreja, sua esposa amada, o memorial da sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é concedido o penhor da glória futura"(Sacrosanctum Concilium 47)

"É por isso que a Igreja procura, solícita e cuidadosa, que os cristãos não entrem neste mistério de fé como estranhos ou espectadores mudos, mas participem na acção sagrada, consciente, activa e piedosamente, ... aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que não só pelas mãos dele, a hóstia imaculada"(Sacrosanctum Concilium 48)

"Para que o Sacrifício da missa alcance plena eficácia pastoral, mesmo quanto ao seu rito, o sagrado Concílio, tendo em atenção as missas que se celebram com assistência do povo, sobretudo aos domingos e nas festas de preceito, determina o seguinte: O Ordinário da missa deve ser revisto, de modo que se manifeste mais claramente a estrutura de cada uma das suas partes bem como a sua mútua conexão, para facilitar uma participação piedosa e activa dos fiéis." (Sacrosanctum Concilium 49,50) 

"Recomenda-se vivamente um modo mais perfeito de participação na missa, que consiste em que os fiéis, depois da comunhão do sacerdote, recebam do mesmo Sacrifício, o Corpo do Senhor."(Sacrosanctum Concilium 55)

domingo, 11 de junho de 2017

What will it be? What is missing from our witness of life in the Spirit?

D. Nuno Brás, Auxiliary Bishop of Lisboa, 04/06/2017, article in http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=6472&cont_=ver3

What will it be?
"There is a growing number of personalities who, in public, confess to be believers in God. They usually remember how in their childhood and youth they went to catechesis, received the sacraments of Christian initiation and lived with some intensity the life of faith, integrated into a group of young people, in a movement or parish community. But now that they are adults and public figures, they prefer to live faith individually. They live with a "God without institutions," they say. They do not need the Church and other Christians. They are enough to themselves.
Of course, I'm happy for all those who publicly claim to be believers. But I can not help wondering about the reality that has driven them away from the Church, from the community of faith. In fact, I think almost always when I celebrate the sacrament of Confirmation. As I confirm all those young people who present themselves, full of sincerity, to receive the sacrament of the fullness of the Holy Spirit, I also think about how many of them will continue with a Christian life for the months and years that follow ...
I am well aware that many will return if they later meet in university someone to show them that being a Christian is not against science or against reason, quite the contrary; Or that many of the ideas they have taught in history, science or philosophy (or even in "morality" ...), and which they have seen scattered and confirmed by the media, are pure inventions of those who do not bother to look for Truth. Or they will return when they have children and want to educate them in the faith. Or later, when the children leave home and face a life more empty and near the end. Or when, simply, any event, happy or full of suffering, interrogate them about the truth of God with us.
But I can not help being saddened by all the time of life of faith that they have lost - and that we and the Christian communities have lost because we do not have them with us to profess and to seek the faith.
What happens (or does not happen) in our communities for at least all these interregnions of faith, if not abandonments? What is missing from our witness of life in the Spirit?"






My answers to those questions:
"What happens (or does not happen) in our communities for at least all these interregnions of faith, if not abandonments? What is missing from our witness of life in the Spirit?"

Diagnosis
Society lives very far from God. Many Christians live as if God does not exist and in many cases have a relationship with God as just a feeling, something that fills a spiritual side and where Our Lord is just the example to be good and make the world a better place.
At this point it is not all bad, it has important things but just getting into it, it is easy to leave and forget, because these goals (fulfills a spiritual side, being good and making the world a better place) can be achieved even without a connection to God and the Church.
To people we must give what the world can not give them: God as Father with a relationship of truth, Our Lord who teaches us the way to God (the way of holiness) and the Church as a place where we are united to the Mystical Body of Christ and  were we live the sacraments that are gifts of God and union with God.
It is necessary to strengthen the Faith and the rock where we lay our lives so that in Charity we can have the reflection of this Faith. The Holy Father asks for an outgoing Church, for it is necessary that we have something to give to the other, we can not go empty, we must go well united in the love of God.

First: increase knowledge and Faith
In the first place, it is necessary to have a relationship of truth with God, like our Father. It is necessary that this relationship is not just a feeling, it is a concrete relation with the Living God. God sent His Son into the world for our redemption and that by baptizing us and accepting God as Father we will follow the path of the salvation of the soul which is the path of the example of holiness that Our Lord has given us.
So as with our father on earth we have a close relationship with whom we speak, we visit, listen and know what he asks of us, it is not just an idea or a feeling: it is a concrete person. Also with God our Father we must have a relationship, recovering the supernatural in our life, praying, visiting him in the church and in the tabernacle, going to Mass, practicing silence to listen, knowing the doctrine and the commandments to know at We asks us and the path that he has drawn for us one day reach Him.
In this relationship of love it is important to point out that, just as in all relationships that are based on love, there are rights and duties. Also the God of the Old Testament still exists, with His commandments, with Our Lord who did not come to revoke the law but to bring it to perfection we have the fulfillment of these duties based on love. And here is something very beautiful, the demand and condemnation if we do not want to follow the path that God has traced us are still present but in love become the path of holiness and the rock on which we lay our lives.
With love it becomes natural to fulfill the duties, but it is important to know what are the duties (doctrine, commandments, etc.) because it is not possible to want to have only rights without duties.

Another important knowledge is about the Sacraments. Sometimes there is the idea that the Sacraments are only ideas of the Church and that it chose what is done and how it is done. Sometimes there is the idea that the Sacraments are just services that the Church provides, so it is very easy to move away from them.
It is important to know that the Sacraments are God's gifts and with them we are participating in the good that is God. They are some type of methods that God gives us to be more united to God, participating in a certain way in His Being. We must also know that the Sacraments were instituted by Our Lord, are not a creation of the Church. Pope John XXIII in the Encyclical Ad Petri Cathedram states: "Whoever does not know that the Catholic Church, from the time of the Apostles and throughout the centuries, has always had seven sacraments, no more and no less, received from Jesus Christ as a sacred inheritance, the Which she distributes throughout the Catholic world, to feed the supernatural life of the faithful?". In the Sacraments we participate in God, they are an inheritance received by the Church.

Second: to live the Faith in the union with God
In many cases the knowledge we have of the Holy Mass is that it is only a supper or that it represents only the Holy Thursday, in other cases it is thought that it is the community that is gathered in celebration.
Although this part is very important, if we stay only by this knowledge we lose the main thing that is the union with God and we easily think that it is not so important to participate, and we come to think that we can be good Christians without going to mass.
We should know well that the Holy Mass is the Sacrifice of the Cross of Our Lord in the Altar offered to God and our participation is made in the union to this Sacrifice, so that we receive the Graces of God.
We should be well aware that the Holy Mass is offered to God for His worship, thanksgiving, atonement for our sins, and to ask the grace of God. As Pope John XXIII points out in the encyclical Ad Petri Cathedram: "Whoever does not know that in the Catholic Church...only one sacrifice is offered. In this Eucharistic sacrifice Christ Himself, our Salvation and our Redeemer, immolates Himself, each day for all of us and mercifully pours out on us the countless riches of His grace. No blood is shed, but the sacrifice is real, just as real as when Christ hung from a cross of Calvary.?"

We must increase the Faith in the real presence of Our Lord in the Eucharist favoring the communion in knees and in the mouth, so that as children we humbly let ourselves be nourished by Our Lord, "Let who therefore becomes small, as this little child, that shall be greatest in the kingdom of heaven." (Matthew 18,4). Priest acts in the person of Christ, is at his service, so it is to our Lord that we address ourselves to receive communion and as St. Paul indicates "For this cause I bend my knees before the Father, of whom all fatherhood in heaven and in the earth takes its name, that according to the riches of his glory the inner man may grow in you by his Spirit, and that Christ may dwell in your hearts through faith.". We must make the moment of communion a time of encounter with God, that by meeting His Glory grow in us the love in our soul. And as Our Lord has taught us, it is by humility that we more easily approach the Glory of God.

We must celebrate the Holy Mass facing Ad Oriente, this form, which can perfectly be used in the celebration of the ordinary form of the Roman Rite, all  turned to the east from where the coming of Our Lord is expected. Turning everyone to Ad Oriente allows us to feel more easily that the Holy Mass is offered to God and that it is from God that we receive the Graces, allows us to participate better in the Sacrifice of the Cross of Our Lord, allows us to concentrate better on God and in union to God we can grow as a community.
In this way the priest is not always facing the altar or with his back to the people, in this way the Good Shepherd is seen in the priest: “He who enters by the door is the shepherd of the sheep. To this the doorman opens, and the sheep hear his voice, he calls them by his name, and takes them out. When he brought them all out, he went before them, and the sheep followed him, because they knew his voice" (John 10: 2-4). When the priest turns to the people "he calls us by name and takes us out," turning to God "goes before us and we follow him because we recognize the voice," and we know that to this Pastor " the doorman opens the door".

We must have the celebration of Holy Mass in the extraordinary form of the Roman Rite on a regular basis in all parishes. For this form of the Roman Rite was defined by Pope Benedict XVI as a norm of the Church the possibility of its celebration in a normal way. The Second Vatican Council indicates (Sacrosanctum Concilium 4) "The sacred Council, faithful guardian of tradition, declares that the holy Mother Church considers as equals in law and honor all the rites legitimately recognized, whats that they be maintained and be promoted by all means".
This form of celebration of Holy Mass in addition to the value that has as the Mass of all times of the Church, which has been at least since the fifth century is a treasure for the sacred and beautiful form that it places in adoration and surrender to God. We should all have contact with this form to remind ourselves that it is the union and love of God that feeds our soul and that is where the source of life is.

Conclusion
Feeling that God is truly our Father, with whom we have a relationship of truth. Knowing that the first step is to love God over all things so that we can love our neighbor. Knowing that Faith is the solid rock where we stand and that we must strengthen and Charity is the reflection of our Faith. Knowing what Holy Mass means, in which we are participating. Knowing that Heaven is the destination we are headed for and that there is a narrow road to follow. So, yes, we know the value and why we continue to be united to God and His Church.




And to you, what would be your answer?


Que será? Que falta ao nosso testemunho de vida no Espírito?

D. Nuno Brás, Bispo Auxiliar de Lisboa, 04/06/2017,
artigo em http://www.vozdaverdade.org/site/index.php?id=6472&cont_=ver3

Que será?
"É cada vez maior o número de personalidades que, em público, se confessam crentes em Deus. Habitualmente recordam como na sua infância e juventude foram à catequese, receberam os sacramentos da iniciação cristã e viveram com alguma intensidade a vida da fé, integrados num grupo de jovens, num movimento ou comunidade paroquial. Mas, agora que são adultos e figuras públicas, preferem viver individualmente a fé. Vivem com um “Deus sem instituições”, dizem. Não precisam da Igreja e dos outros cristãos. Bastam-se a si mesmos.
Claro que fico contente por todos aqueles que se afirmam publicamente crentes. Mas não posso deixar de me interrogar sobre qual a realidade que os afastou da Igreja, da comunidade da fé. Aliás, penso-o quase sempre quando celebro o sacramento do crisma. À medida que confirmo todos aqueles jovens que se apresentam, cheios de sinceridade, para receber o sacramento da plenitude do Espírito Santo, dou comigo também a pensar sobre quantos deles continuarão com uma vida cristã pelos meses e anos que se seguem…
Sei bem que muitos regressarão se, mais tarde, encontrarem na universidade quem lhes mostre que ser cristão não é contra a ciência ou contra a razão, bem pelo contrário; ou que muitas das ideias feitas que no secundário lhes ensinaram em história, ciências ou filosofia (ou até em “moral”…), e que viram espalhadas e confirmadas pela comunicação social, são puras invenções de quem não se dá ao trabalho de procurar a Verdade. Ou que regressarão quando tiverem filhos e os quiserem também educar na fé. Ou ainda mais tarde, quando os filhos saírem de casa e se depararem com uma vida mais vazia e perto do fim. Ou quando, simplesmente, um qualquer acontecimento, feliz ou cheio de sofrimento, os interrogar acerca da verdade do Deus connosco.
Mas não posso deixar de me entristecer por todo aquele tempo de vida de fé que perderam – e que nós e as comunidades cristãs perdemos por não os termos connosco a professar e a procurar a fé.
Que será que acontece (ou que não acontece) nas nossas comunidades para, no mínimo, todos estes interregnos de fé, senão mesmo abandonos? Que falta ao nosso testemunho de vida no Espírito?"





A minha resposta às questões:
"Que será que acontece (ou que não acontece) nas nossas comunidades para, no mínimo, todos estes interregnos de fé, senão mesmo abandonos? Que falta ao nosso testemunho de vida no Espírito?"

Diagnóstico
A sociedade vive muito afastada de Deus. Muitos cristãos vivem como se Deus não existisse e em muitos casos têm uma relação com Deus como sendo apenas um sentimento, algo que preenche um lado espiritual e em que Nosso Senhor é apenas o exemplo para sermos bons e tornarmos o mundo um lugar melhor.
Neste ponto não é tudo mau, tem coisas importantes mas ficando apenas nisto facilmente se deixa e esquece pois estes objectivos (preenche um lado espiritual, sermos bons e tornarmos o mundo um lugar melhor) podemos conseguir mesmo sem uma ligação a Deus e à Igreja.
Às pessoas devemos dar o que o mundo não lhes pode dar: Deus como Pai com uma relação de verdade, Nosso Senhor que nos ensina o caminho até Deus (o caminho da santidade) e a Igreja como lugar onde estamos unidos ao Corpo Místico de Cristo e vivemos os Sacramentos que são dons de Deus e união a Deus.
É necessário fortalecermos bem a Fé e a rocha onde assentamos a nossa vida de forma a na Caridade possamos ter o reflexo dessa Fé. O Santo Padre pede uma Igreja de saída, para isso é necessário que tenhamos algo para dar ao outro, não podemos ir vazios, temos de ir bem unidos no amor a Deus.

Primeiro: aumentar o conhecimento e a Fé
Em primeiro lugar é necessário ter uma relação de verdade com Deus, como nosso Pai. É necessário que essa relação não seja apenas um sentimento, é uma relação concreta com o Deus Vivo. Deus enviou o Seu Filho ao mundo para nossa redenção e para que baptizando-nos e aceitando Deus como Pai sigamos o caminho da salvação da alma que é o caminho do exemplo de santidade que Nosso Senhor nos deu.
Assim, como com o nosso pai na terra temos uma relação próxima com quem falamos, vamos visitar, escutamos e sabemos o que nos pede, não é apenas uma ideia ou um sentimento: é uma pessoa concreta. Também com Deus nosso Pai temos de ter uma relação, recuperando o sobrenatural na nossa vida, rezando, visitando-o na igreja e no sacrário, indo à Santa Missa, praticando o silêncio para o escutar, conhecendo a doutrina e os mandamentos para saber o que nos pede e o caminho que traçou para nós um dia chegarmos até Ele.
Nesta relação de amor é importante salientar que tal como em todas as relações que são baseadas no amor existem direitos e deveres. Também o Deus do Antigo Testamento ainda existe, com os seus mandamentos, com Nosso Senhor que não veio revogar a lei mas levá-la à perfeição passamos a ter o cumprimento desses deveres baseados no amor. E aqui está algo de muito belo, a exigência e a condenação caso não queiramos seguir o caminho que Deus nos traçou estão ainda presentes mas no amor tornam-se o caminho de santidade e a rocha sobre a qual assentamos a nossa vida.
Com o amor torna-se natural o cumprimento dos deveres, mas é importante conhecermos quais são os deveres (doutrina, mandamentos, etc.) pois não é possível querermos ter apenas direitos sem deveres.
Outro conhecimento importante é sobre os Sacramentos. Por vezes há a ideia que os Sacramentos são apenas ideias da Igreja e que esta escolheu o que se faz e como se faz. Por vezes existe a ideia que os Sacramentos são apenas serviços que a Igreja fornece, por isso é muito fácil nos afastarmos deles.
É importante conhecer que os Sacramentos são dons de Deus e com eles estamos a participar no bem que é Deus. São no fundo formas que Deus nos dá de nos unirmos mais a Deus, participando de certa forma no Seu Ser. Também devemos conhecer que os Sacramentos foram instituídos por Nosso Senhor, não são uma criação da Igreja. O Papa São João XXIII na encíclica Ad Petri Cathedram indica: "Quem ignora que a Igreja Católica, desde o tempo dos Apóstolos e pelo decurso dos séculos, teve sempre sete sacramentos, nem mais nem menos, recebidos de Jesus Cristo como herança sagrada, os quais ela distribui em todo o orbe católico, para alimento da vida sobrenatural dos fiéis?". Nos Sacramentos participamos em Deus, são uma herança recebida pela Igreja.

Segundo: viver a Fé na união a Deus
Em muitos casos o conhecimento que temos da Santa Missa é que é apenas uma ceia ou que representa apenas a ceia da Quinta-Feira Santa, noutros casos pensa-se que é a comunidade que está reunida em festa.
Ainda que esta parte seja muito importante, se ficamos apenas por esse conhecimento perdemos o principal que é a união a Deus e facilmente pensamos que não é assim tão importante participarmos, até chegamos a pensar que podemos ser bons cristãos sem ir à missa.

Devemos conhecer bem que a Santa Missa é o Sacrifício da Cruz de Nosso Senhor no Altar oferecido a Deus e a nossa participação é feita na união a este Sacrifício, de forma a recebermos as Graças de Deus.
Devemos conhecer bem que a Santa Missa é oferecida a Deus para a Sua adoração, acção de graças, expiação dos nossos pecados e pedirmos graças a Deus.
Como indica o Papa São João XXIII na encíclica Ad Petri Cathedram: "Quem ignora que na Igreja Católica...se celebra um só sacrifício, o Eucarístico, em que o próprio Cristo, nosso Salvador e Redentor, de modo incruento mas real, como outrora pregado na cruz do Calvário, se imola cada dia por nós todos, e difunde misericordiosamente sobre nós os tesouros infinitos da sua graça?"

Devemos aumentar a Fé na presença real de Nosso Senhor na Eucaristia favorecendo a comunhão de joelhos e na boca, de forma a que humildemente como crianças nos deixemos alimentar por Nosso Senhor, "Aquele, pois, que se fizer pequeno, como este menino, esse será o maior no reino dos céus." (Mateus 18,4). O sacerdote actua na pessoa de Cristo, está ao Seu serviço, por isso é a Nosso Senhor que nos dirigimos para receber a comunhão e como São Paulo indica "Por esta causa dobro os joelhos diante do Pai, do qual toda a paternidade nos céus e na terra toma o nome, para que, segundo a riqueza da sua glória, faça crescer em vós o homem interior, pelo seu Espírito, e que Cristo habite pela fé nos vossos corações". Devemos tornar o momento da comunhão um momento de encontro com Deus, que pelo encontro com a Sua Glória cresça em nós o amor na nossa alma. E como Nosso Senhor nos ensinou é pela humildade que mais facilmente nos aproximamos da Glória de Deus.

Devemos celebrar a Santa Missa voltados para Ad Orientem, esta forma, que pode ser perfeitamente utilizada na celebração da forma ordinária do Rito Romano, significa voltar-nos todos para oriente de onde se espera a vinda de Nosso Senhor. Virados todos para Ad Orientem permite-nos sentir mais facilmente que a Santa Missa é oferecida a Deus e que é de Deus que recebemos as Graças, permite participar melhor no Sacrifício da Cruz de Nosso Senhor, permite concentrar-nos melhor em Deus e na união a Deus possamos crescer como comunidade.
Nesta forma o sacerdote não está sempre voltado para o altar ou de costas para o povo, nesta forma vê-se no sacerdote o Bom Pastor: “O que entra pela porta é pastor das ovelhas. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, ele as chama pelo seu nome, e as tira para fora. Quando as tirou todas para fora, vai adiante delas, e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz.” (João 10, 2-4). Quando o sacerdote se volta para o povo «chama-nos pelo nome e tira-nos para fora», voltando-se para Deus «vai adiante de nós e nós seguimo-lo porque reconhecemos a voz», e sabemos que a este Pastor «o porteiro abre a porta».

Devemos ter a celebração da Santa Missa na forma extraordinária do Rito Romano de forma regular em todas as paroquias. Para esta forma do Rito Romano foi definido pelo Papa Bento XVI como norma da Igreja a possibilidade da sua celebração de forma normal. O próprio Concílio Vaticano II indica (Sacrosanctum Concilium 4) "O sagrado Concílio, guarda fiel da tradição, declara que a santa mãe Igreja considera iguais em direito e honra todos os ritos legitimamente reconhecidos, quer que se mantenham e sejam por todos os meios promovidos".
Esta forma de celebração da Santa Missa para além do valor que tem sendo a Missa de todos os tempos da Igreja, que vai pelo menos desde o século V é um tesouro pela forma sagrada e bela que coloca na adoração e entrega a Deus. Todos devíamos ter contacto com esta forma para nos lembrarmos que é a união e o amor a Deus que alimentam a nossa alma e que é aí que está a fonte da vida.

Concluindo
Sentindo que Deus é verdadeiramente o nosso Pai, com quem temos uma relação de verdade. Sabendo que o primeiro passo é amar a Deus sobre todas as coisas para podermos amar o próximo. Sabendo que a Fé é a rocha sólida onde nos colocamos e que devemos fortalecer e a Caridade é o reflexo da nossa Fé. Sabendo o que significa a Santa Missa, em que estamos a participar. Sabendo que o Céu é o destino para o qual nos dirigimos e que para aí existe uma estrada estreita a seguir. Assim, sim, ficamos a saber o valor e o porquê de continuarmos unidos a Deus e à Sua Igreja.